Figuras de Linguagem – Figuras de som, palavras, pensamentos e sintaxe

As Figuras de Linguagem são recursos linguísticos que têm o intuito de dar ênfase ao discurso.

A linguagem figurada é expressa nas chamadas figuras de linguagem, que são: figuras de som, palavras, pensamentos e de sintaxe.

Figuras de Som

No estudo das figuras de linguagem, as figuras de som são: aliteração, assonância, onomatopeia e homeoteleuto.

Aliteração

Aliteração se dá pela a repetição de fonemas consonantais com intenção expressiva.

Por exemplo:

Vozes veladas, veludosas vozes,
Volúpias dos violões, vozes veladas
Vagam nos velhos vórtices velozes
Dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas.

Cruz e Souza (Aliteração em “v”)

Assonância

Assonância consiste na repetição ordenada de sons vocálicos idênticos (aa, ee, oo).

Como exemplo, “Sou um mulato nato no sentido lato mulato democrático do litoral.”

Onomatopeia

Palavra que imita sons da natureza.

O ribombar dos canhões nos assustava. Não aguentava mais aquele tique-taque insistente. “Não se ouvia mais que o plic-plic-plic-plic da agulha no pano.”

(Machado de Assis)

Homeoteleuto

Homeoteleuto consiste na correspondência fonética das terminações da última sílaba de uma oração ou verso.

Como exemplo, Estudando e trabalhando. Cantar e amar.

Figuras de Palavras

As figuras de palavras são: comparação, metáfora, metonímia, catacrese, perífrase, sinestesia e antonomásia.

Comparação

Consiste, como o próprio nome indica, em comparar dois seres, fazendo uso de conectivos comparativos ligando o elemento comum aos dois.

Esse líquido é azedo como limão. A jovem estava branca qual uma vela.

Metáfora

Metáfora é o tipo de comparação em que não aparece o conectivo nem o elemento comum aos seres comparados. É uma das figuras de linguagens mais populares.

“Minha vida era um palco iluminado…”
(Minha vida era alegre, bonita como um palco iluminado.)

Tuas mãos são de veludo.
(Entenda-se: mãos macias como o veludo)

Metonímia

Metonímia é a troca de uma palavra por outra, havendo entre elas uma relação real, concreta e objetiva. Há vários tipos de metonímia no estudo das figuras de linguagem.

Como exemplo, Sempre li Érico Veríssimo. (o autor pela obra) A pessoa não leu literalmente o Érico Veríssimo, leu as obras deste escritor.
Ele nunca teve o seu próprio teto. (a parte pelo todo) Teto representa a moradia, o lar, a casa.
Cuidemos da infância. (o abstrato pelo concreto: infância / crianças). A palavra “infância” representa “criança”.

Catacrese

Catacrese é um tipo especial de metáfora. É a extensão de sentido que sofrem determinadas palavras na falta ou desconhecimento do termo apropriado. Essa extensão ocorre com base na analogia. Por isso, ela é uma variação da metáfora.

Por exemplo, Leito do rio, essa expressão possui como núcleo o “Leito do” Originariamente ele remete a uma armação em que as pessoas se deitam, como uma cama.

Perífrase

O prefixo “peri-” significa “em torno de”. Por isso, perímetro é a medida em torno da área. Dessa forma, fica mais fácil perceber que a perífrase não usa a objetividade, nem a concisão; ela “dá voltas” até chegar ao ponto. É o emprego de várias palavras no lugar de poucas ou de uma só.

Como exemplo, Se lá no assento etéreo onde subiste… (assento etéreo = céu). Morei na Veneza brasileira. (Veneza brasileira = Recife) .

Sinestesia

Sinestesia consiste numa fusão de sentidos. Para ficar mais fácil guardar e não ter que decorar, veja a estrutura desta palavra.

O prefixo “sin-” significa reunião, mistura e “estes(ia)” significa sensibilidade, sensação. Assim, sinestesia é a mistura de sensações, de sentidos. Basta associar à estrutura da palavra.

Como exemplo: Despertou-me um som colorido. (audição e visão) Era uma beleza fria. (visão e tato)

Antonomásia

Quando designamos uma pessoa por uma qualidade, característica ou fato que a distingue. Na linguagem coloquial, antonomásia é o mesmo que apelido, alcunha ou cognome, cuja origem é um aposto (descritivo, especificativo etc.) do nome próprio.

Como exemplo, “E a rabi simples, que a igualdade prega” (rabi simples = Cristo)

Figuras de Pensamentos

As figuras de pensamentos, são: antítese, paradoxo, eufemismo, ironia, hipérbole, personificação, apóstrofe0 e gradação.

Antítese

Antítese é o emprego de palavras ou expressões de sentido oposto.

Como exemplo: Era cedo para alguns e tarde para outros.

A antítese tem um aprofundamento chamado de paradoxo ou oxímoro no campo das figuras de linguagem.

Paradoxo

Enquanto a antítese ocorre por haver a aproximação de opostos, o paradoxo é um mesmo elemento com características opostas, contraditórias.

Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.

(Luiz Vaz de Camões)

Eufemismo

Eufemismo é a suavização de uma ideia desagradável. Chamado, dentre as figuras de linguagem, de linguagem diplomática.

Como exemplo: Minha avozinha descansou. (morreu)
Ele tem aquela doença. (câncer)
Você não foi feliz com suas palavras. (foi estúpido, grosseiro)

Ironia

A ironia consiste em dizer-se o contrário do que se quer. É uma das figuras de linguagem muito importantes para a interpretação de textos.

Como exemplo, “Moça linda bem tratada, três séculos de família, burra como uma porta, um amor.” (Mário de Andrade)

Após chamar a moça de burra, o poeta encerra a estrofe com um aparente elogio: um amor.

Hipérbole

Consiste em exagerar as coisas, extrapolando a realidade.

Tenho milhares de coisas para fazer.
Estava quase estourando de tanto rir.
Vive inundado de lágrimas.

Personificação

A personificação consiste em se atribuir a um ser inanimado ou a um animal ações próprias dos seres humanos.

A areia chorava por causa do calor. As flores sorriam para ela.

Apóstrofe

Chamamento, invocação de alguém ou algo, presente ou ausente. Corresponde ao vocativo da análise sintática.

“Deus! ó Deus! onde estás que não respondes?!” (Castro Alves)

Gradação

A gradação se consiste em dispor as ideias por meio de palavras, sinônimas ou não, em ordem crescente ou decrescente. Quando a progressão é ascendente, temos o clímax; quando é descendente, o anticlímax.

Como exemplo, Havia o céu, havia a terra, muita gente e mais Joana com seus olhos claros e brincalhões…

O narrador parte de um sentido mais geral: “céu”. Da grandiosidade do céu, ele parte para a “terra”, depois os seus ocupantes (“muita gente”), até o indivíduo (“Joana”). Por fim, a especificação ainda mais profunda: os olhos dela. Assim, o pensamento foi expresso em ordem decrescente de intensidade.

Figuras de Sintaxe

As figuras de sintaxe, são: elipse, zeugma, silepse, polissíndeto, assíndeto, pleonasmo, anáfora, anacoluto e hipérbato.

Elipse

Elipse é a omissão de um termo, geralmente verbo, empregado anteriormente.

“A moral legisla para o homem; o direito, para o cidadão.”

Na primeira frase, está subentendida a forma verbal “legisla”; na segunda está subentendido o verbo “são”.

Silepse

Silepse é a concordância anormal feita com a ideia que se faz do termo e não com o próprio termo.

Pode ser: de gênero – Vossa Senhoria é bondoso.
de número  – O grupo chegou apressado e conversavam em voz alta.
de pessoa – Os brasileiros somos otimistas

A concordância normal seria bondosa, já que Vossa Senhoria é do gênero feminino. Fez-se a concordância com a ideia que se possui, ou seja, trata-se de um homem.
O segundo verbo do período deveria concordar com grupo. Mas a ideia de plural contida no coletivo leva o falante a flexionar o verbo no plural: conversavam. Tal concordância anormal não deve ser feita com o primeiro verbo.
Em princípio, deveríamos dizer são, pois o sujeito é de terceira pessoa do plural. Mas, por estar incluído entre os brasileiros, é possível colocar o verbo na primeira pessoa: somos.

Polissíndeto

Polissíndeto é a repetições da conjunção, geralmente “e”.

Como exemplo, “Rejeita, e canta, e ri nervosamente.” (Padre Antônio Tomás)

Assíndeto

É uma figura caracterizada pela ausência, pela omissão das conjunções coordenativas, resultando no uso de orações coordenadas assindéticas.

Tens casa, tens roupa, tens amor, tens família.
“Vim, vi, venci.”

Pleonasmo

Pleonasmo é a repetição enfática de um termo ou de uma ideia.

Como exemplo, O pátio, ninguém pensou em lavá-lo. (lo = O pátio) Vi o acidente com olhos bem atentos. (Ver só pode ser com os olhos.)

Anáfora

É a repetição intencional de uma ou mais palavras no início de várias frases, criando assim, um efeito de reforço e de coerência. No estudo da coesão, esse recurso é chamado de reiteração. Pela repetição, a palavra ou expressão é enfatizada, é posta em destaque

Como exemplo:

Se você gritasse
Se você gemesse,
Se você tocasse a valsa vienense
Se você dormisse,
Se você cansasse,
Se você morresse…
Mas você não morre,
Você é duro José!”

(Carlos Drummond de Andrade)

Anacoluto

Anacoluto é a quebra da estruturação sintática, de que resulta ficar um termo sem função sintática no período. É parecido com um dos tipos de pleonasmo.

Como exemplo: O jovem, alguém precisa falar com ele.

Observe que o termo O jovem pode ser retirado do texto. Ele não se encaixa sintaticamente no período. Caso disséssemos Com o jovem, teríamos um pleonasmo: com o jovem = com ele.

Hipérbato

Hipérbato é a inversão da ordem dos termos na oração ou das orações no período.

“Aberta em par estava a porta.” (Almeida Garrett)
“Essas que ao vento vêm”

Hipálage

Hipálage é quando há inversão da posição do adjetivo: uma qualidade que pertence a um objeto é atribuída a outro, na mesma frase.

“O nado branco dos cisnes o fascinou.” (na realidade, os cisnes é que são brancos)

Esse foi um resumo completo sobre Figuras de Linguagem.

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