Curso de Ludicidade

O Brincar

A brincadeira se caracteriza por alguma estruturação e pela utilização de regras. A brincadeira é uma atividade que pode ser tanto coletiva quanto individual. Na brincadeira a existência das regras não limita a ação lúdica, a criança pode modificá-la, ausentar-se quando desejar, incluir novos membros, modificar as próprias regras, enfim existe maior liberdade de ação para as crianças.

07 tópicos importantes para entendermos o brincar:

1 – O brincar e a criança;
2 – O papel do educador na educação lúdica;
3 – Brincar é importante;
4 – por que nem todas as crianças brincam;
5 – Critérios para a escolha dos brinquedos;
6 – Segurança dos brinquedos;
7 – Reflexão sobre o brincar.

O BRINCAR É UM DIREITO DA CRIANÇA

Declaração universal dos direitos da criança – ONU (20/11/1959);

Associação Internacional pelo direito da criança brincar – IPA 1979 (Malta), 962 (Viena), 1989 (Barcelona)

Os princípios norteadores da Associação Internacional – IPA

BRINCAR é essencial para a saúde física e mental das crianças.
BRINCAR faz parte do processo da formação educativa do ser humano.
BRINCAR é fundamental para a vida familiar e comunitária
A criança precisa de tempo para BBRINCAR em seu tempo de lazer
As necessidades da criança devem ter prioridades no planejamento do equipamento social.
O BRINCAR DIVIDIDO EM DUAS GRANDES RIQUEZAS
O BRINCAR Social – reflete o grau nos quais as crianças interagem umas com as outras;
O BRINCAR Cognitivo revela o nível de desenvolvimento mental da criança.

O Homem Lúdico

1-
Os antigos já sabiam da importância do brincar no desenvolvimento integral do ser humano. Aristóteles, quando classificou os vários aspectos do homem, dividiu-os em homo sapiens (o que conhece e aprende), homo faber (o que faz, produz) e homo ludens (o que brinca, o que cria). Em nenhum momento, um dos aspectos sobrepujou o outro como mais importante ou mais significativo. Na sua imensa sabedoria, os povos antigos sabiam que mente, corpo e alma são indissolúveis, embora tenham suas características próprias.

A era capitalista, com seu enfoque na produtividade e no lucro a qualquer preço, passou a valorizar os atributos intelectuais e físicos em detrimento dos valores espirituais tais como: sensibilidade, criatividade, senso estético, solidariedade, altruísmo, idealismo e humor.Nas últimas décadas, no entanto, a visão materialista do ser humano e de sua missão no mundo, independentemente de qualquer conceito religioso, passou a ser amplamente discutida, pois não produziu o resultado desejado: a Felicidade.

Embora, para alguns privilegiados, ela pareça existir, as chamadas “ilhas de prosperidade” estão cada vez mais ameaçadas pelas ondas de pessoas infelizes, violentas, que perderam a alegria e a crença no valor da vida. O que vemos então são crianças e adolescentes armados com todo tipo de artefatos, matando-se entre si ou ameaçando outras crianças e adolescentes mais afortunadas do que elas.

Se consideramos que brincar é a ação do “homo ludens”, aquele de quem falávamos no início, e que é parte do ser humano integral e que além do desenvolvimento físico e intelectual, o brincar, favorece o desenvolvimento dos vínculos afetivos e sociais positivos, condição única para que possamos viver em grupo, estaremos diante do principal, senão único, instrumento de educação para a vida.

O Homem Lúdico

2-
O grande trunfo das atividades lúdicas é o fato de elas estarem centradas na emoção e no prazer, mesmo quando o jogo pode trazer alguma angústia ou sofrimento. Nesses casos, quando a criança exprime emoções consideradas negativas, o jogo funciona como uma “catarsis”, uma limpeza da alma, que dá lugar para que outras emoções mais positivas se instalem.

Sentimentos como raiva, tristeza ou frustração fazem parte da nossa vida diária. Poder exprimi-los através de um jogo, uma brincadeira, não só nos aliviará como nos ensinará a utilizar o humor de forma a fortalecer nossa resiliência.

Chutar uma bola ou virar cambalhota podem ser maneiras saudáveis de liberar aquela adrenalina concentrada em nosso organismo e que, muitas vezes, não nos permite nos concentrarmos nas atividades mentais, incluindo o aprendizado.

O papel das atividades lúdicas no processo de desenvolvimento e aprendizagem

O jogo enquanto ferramenta de aprendizagem vai se desenvolver de forma positiva, se o educador souber trabalhar adequadamente com ele. É sabido que muitos vêem este tipo de atividade como atividade de disputa, onde há perdedores e ganhadores e uma grande parte dos docentes dissemina este conceito errôneo que se tem desta atividade. Quando se trabalha o corpo, a ludicidade e o jogo, desenvolvemos diversas potencialidades como a criatividade, o prazer, a interação entre as pessoas, a cooperação, entre outras.

Atividade Dominante na infância 

Devido o caráter sócio-histórico de Vygotsky, o qual aponta a brincadeira como uma atividade dominante na infância, em que através dela a criança expressa sua imaginação, conhece seu corpo e até mesmo cria suas próprias regras, verificamos que a brincadeira tem caráter essencial na formação e no desenvolvimento do indivíduo na sociedade.

Todavia, constantemente nos deparamos com situações onde os jogos são relegados a um segundo plano. O desenvolvimento da criança e seu conseqüente aprendizado ocorrem quando esta participa ativamente: seja discutindo as regras do jogo, seja propondo soluções para resolvê-los.
É de extrema importância que o professor também participe e proponha desafios em busca de uma solução e da participação coletiva. O papel do educador nesse caso será de mediador e não determina a função de ninguém, nem como se joga.

FROEBEL

Outro teórico que percebe o jogo como atividade importante no desenvolvimento da criança, resultando em benefícios morais, intelectuais e físicos, é FROEBEL. Para este teórico, a falta de liberdade e a repressão repercutem negativamente, no que diz respeito ao estímulo da atividade espontânea, característica fundamental para o desenvolvimento.

Ele percebe o jogo como instrumento de ensino, no qual é possível trabalhar as diferentes disciplinas, tais como: Matemática, Ciências e outras.

De acordo com Froebel: 
“ Brincar é a fase mais importante da infância- do desenvolvimento humano neste período- por ser a auto-ativa representação do interno- a representação de necessidades e impulsos internos.” (FROEBEL, 1912, pp. 54-55) 

Assim, semelhante ao pensamento de Vygotsky, que vê a interação como ação que provoca intervenções no desenvolvimento da criança, Froebel, também concorda que os jogos interferem positivamente, pois no brincar a criança expõe sua capacidade representativa, o prazer e a interação com outras crianças. Desta forma, entendo que as atividades lúdicas cooperativas contribuem e oportunizam as crianças momentos de expressão, criação e de troca de informação, além de trabalhar a cooperação.

Torna-se necessário também que o educador reavalie seus conceitos a respeito dessas atividades, principalmente com relação aos jogos, e que neste processo a criança tenha espaço para expressar sua fala, seu ponto de vista e suas sugestões.  O professor ao propor algum tipo de atividade, deve deixá-lo à vontade, pois através da troca de experiências com outros colegas, da criatividade e busca de soluções, ele conseguirá construir seu próprio conhecimento.

As heranças freudianas

Freud compreendeu que o brinquedo é o caminho real para o inconsciente da criança, assim como o sonho é o caminho real para o inconsciente do adulto. Ou seja, a experiência do brincar tem seu lado interno; que se expressa no externo.

A meta de Freud, como sabemos, foi desvendar e compreender as operações do inconsciente através de suas manifestações externas.

A partir daí, o próprio Freud e seus discípulos próximos e distantes, tais como Ana Freud (filha de Freud), Melanie Klein , Bruno Bettelheim , D.W. Winnicott , Arminda Aberastury , André Lapierre e tantos outros produziram diversas compreensões psicanalíticas e possibilidades de usos das atividades lúdicas.

A Psicanálise, em sua atuação terapêutica, aposta na restauração do passado e na construção do presente e do futuro. Freud afirma que temos em nós duas forças fundamentais: as forças regressivas, que nos atém fixados no passado e as forças progressivas, que nos mantém voltados para o futuro.

As forças regressivas são aquelas que tem como seu epicentro as nossas fixações neuróticas ou traumáticas do passado, que nos impedem ou dificultam o nosso viver fluído no presente, assim como nossas aberturas para o futuro.

Elas se manifestam por nossas respostas emocionais automáticas do dia a dia, que nos dificultam o estar bem connosco mesmos (intrapessoalmente) e em nossos relacionamentos (interpessoalmente).

As forças progressivas, por outro lado são aquelas que nos chamam para o futuro, para as nossas possibilidades de organização pessoal e de ser .

As heranças piagetianas

Em Piaget, os jogos são compreendidos como recursos fundamentais dos quais o ser humano lança mão em seu processo de desenvolvimento, possibilitando a organização de sua cognição e seu afeto, portanto a organização do seu mundo interior na sua relação com o mundo exterior.

O tema que Jean Piaget sempre se colocou, ao longo de sua vida de pesquisas sobre a inteligência humana, foi: como se dá o conhecimento? Como se constrói, no ser humano, o processo do conhecer? E sua resposta permanente foi: através das atividades. O ser humano, como um ser ativo, aprende por meio de sua ação.

Age e compreende, por meio de uma dialética de assimilação e acomodação em suas relações com o mundo exterior. Assimilar significa tornar o mundo exterior semelhante ao mundo interior e acomodar significa apropriar-se dos elementos do mundo exterior, evidentemente, como eles podem ser apropriados com realidade pela ótica do sujeito.

Em seu livro A formação do símbolo na criança, Piaget trabalha com os jogos como os recursos ativos dos quais o ser humano se serve em sua vida para construir-se a si mesmo, aprendendo a relacionar-se com o que está fora e em torno de si.

É nesse contexto, que Piaget estabelece o entendimento de que as atividades desenvolvidas pelo ser humano, em seu processo de desenvolvimento, podem ser compreendidas como jogos e classificados em três tipos: jogos de exercício, jogos simbólicos e jogos de regras.

Para este autor, os jogos, como atividades lúdicas, servem de recursos de autodesenvolvimento. Piaget vê os jogos como atividades que vão propiciando o caminho interno da construção da inteligência e dos afetos.

Enquanto Freud esteve atento mais aos processos emocionais trabalhados pelo brinquedo e pelo jogo, Piaget esteve mais atento aos aspectos cognitivos trabalhados por esses mesmos recursos, sem que tenha descuidado dos aspectos afetivos e morais.

Enquanto a psicanálise esteve mais atenta (não exclusivamente) à reconstrução da experiência emocional, Piaget esteve mais atento ao processo de construção dos conhecimentos e da afetividade.

Todavia, ambos são de fundamental importância para quem deseja trabalhar com atividades lúdicas, seja na educação familiar, na educação escolar, na educação extra-escolar, seja na terapia.

Sugestões de Atividades Lúdicas para Sala de Aula

Dicas para Aulas:
-Use jogos educativos nas suas aulas.
– Desenvolva atividades lúdicas com seus alunos.
– Procure introduzir cada novo conteúdo de forma diferente.
– Mude a disposição das cadeiras e mesas na sala de aula.
– Faça os alunos participarem das aulas.
– Troque de ambiente e dê aula no pátio da escola, por exemplo.
– Explore cartazes, vídeos, filmes.
– Traga jornais e revistas para a sala de aula.
– Aproveite todo o ambiente escolar.
– Crie aulas diferentes e divertidas.
– Elabore situações problemas para os seus alunos resolverem.
-Busque auxílio nos meios de comunicação.
– Troque experiências com os colegas.
– Valorize as opiniões de seus alunos.
-Peça sugestões aos seus alunos quando for preparar suas aulas.
-Faça trabalhos em pequenos grupos ou grupos sucessivos.
-Solicite uma avaliação das suas aulas aos seus alunos.
– Incentive e estimule a aprendizagem dos seus alunos.
– Deixe transparecer que você acredita e valoriza o seu trabalho.

Aplique este jogos aos alunos de forma a ajudarem a refletirem sobre a escrita e leitura.
1- Jogo dos 7 erros: a prof.ª elabora uma lista de palavras e, em 7 delas, substitui uma letra por outra que não faça parte da palavra. A criança deve localizar essas 7 substituições.

2- Jogo dos 7 erros: a prof.ª elabora uma lista de palavras e, em 7 delas, inverte a ordem de 2 letras (ex: cachorro – cachroro). A criança deve achar esses 7 erros.

3- Jogo dos 7 erros: a profª elabora uma lista de palavras e, em 7 delas, omite uma letra. O aluno deve localizar os 7 erros.

4- Jogo dos 7 erros: a prof.ª elabora uma lista de palavras e, em 7 delas, acrescenta 1 letra que não existe. A criança deve localizar quais são elas.

5- Jogo dos 7 erros: a prof.ª escreve um texto conhecido (música, parlenda, etc.) e substitui 7 palavras por outras, que não façam parte do texto. O aluno deve achar quais são elas.

6- Jogo dos 7 erros: a prof.ª escreve um texto conhecido (música, parlenda, etc.) e omite 7 palavras. O aluno deve descobrir quais são elas.

7- Jogo dos 7 erros: a prof.ª escreve um texto conhecido (música, parlenda, etc.) e inverte a ordem de 7 palavras. O aluno deve localizar essas inversões.

8- Jogo dos 7 erros: a profª escreve um texto conhecido (música, parlenda, etc.) e acrescenta 7 palavras que não façam parte dele. A criança deve localizar quais são elas.

9- Caça palavras: a prof.ª monta o quadro e dá só uma pista: “Ache 5 nomes de animais” por exemplo.

10- Caça palavras: a prof.ª monta o quadro e escreve, ao lado, as palavras que o aluno deve achar.

SUGESTÕES DE JOGOS
1.JOGO DO TABULEIRO- Material: tabuleiro individual com 20 divisões, um dado com pontos ou numeração, material de contagem para preencher o tabuleiro (fichas, tampinhas, etc).- Aplicação: cada jogador, na sua vez, joga o dado e coloca no tabuleiro o número de tampinhas indicado no dado. Os jogadores devem encher seus tabuleiros.

2.JOGO TIRANDO DO PRATO- Material: pratos de papelão ou isopor (um para cada criança), material de contagem (ex.: 20 para cada criança), dado.- Aplicação: os jogadores começam com 20 objetos dentro do prato e revezam-se jogando o dado, retirando as peças, quantas indicadas pela quantidade que nele aparece. Vence quem esvaziar seu prato primeiro.

3.BATALHA- Material: baralho de cartas de ÁS a 10.- Aplicação: um dos jogadores distribui (divide) todas as cartas entre todos. Cada criança arruma sua pilha com as cartas viradas para baixo, sem olhar para as faces numeradas. Os jogadores da mesa (2, 3 ou 4) viram a carta superior da sua pilha e COMPARAM os números.

Aquele que virar a carta de quantidade “maior” (número maior) pega todas para si e coloca num monte à parte. Jogar até as pilhas terminarem.- Se abrirem cartas de mesmo valor, deixar na mesa e virar as próximas do seu monte.- Vence aquele que pegar o maior número de cartas (estratégias: comparar a altura das pilhas, contar, estimar).

4.LOTO DE QUANTIDADE- Material: dado com pontos, cartelas com desenhos da configuração do dado e fichas para marcar as cartelas sorteadas.- Aplicação: cada jogador recebe uma cartela com três desenhos que representem uma das faces do dado.

Na sua vez, joga o dado e se tiver na sua cartela um desenho IGUAL ao da face sorteada, deve cobri-la com a ficha. Termina quando alguém cobrir os três desenhos da sua cartela.

5. JOGO DO 1 OU 2 – Material: dado com apenas os números 1 e 2, ou fichas em uma sacola (números 1 e 2).- Aplicação: Cada jogador, na sua vez, joga o dado, ou retira uma ficha. O jogador lê o número e procura identificar em seu corpo partes que sejam únicas (ex.: nariz, boca, cabeça, etc) ou duplas (olhos, orelhas, braços, etc). Não pode repetir o que o outro já disse. Caso não lembre, a criança passa a vez. Jogar até esgotar as partes.

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Leituras Recomendadas

Educação lúdica
Paulo Nunes de Almeida
Loyola, 1998 – 295 páginas

–  KISHIMOTO, Tizuko Morchida (org) – O Brincar e suas teorias – São Paulo: Ed. Pioneira, 2002.

– SANTOS,Carlos Antônio – Jogos e Atividades Lúdicas – Editora Spirit –1998.

– VYGOTSKY, L. A Formação Social da Mente. São Paulo: Ed. Martins Fontes, 1984

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