Curso de Diferentes Formas de Violência

Formas de Violência

A Violência no Trabalho:

As Organizações e a violência:
As Organizações, independentemente do domínio de actuação e da sua dimensão, são constituídas por pessoas. E são essas pessoas, pequenos, Universos de individualidade, que muitas vezes no seu relacionamento são geradoras de situações de conflito.

Tradicionalmente, a violência surge no contexto de trabalho, porque de alguma forma foi possível acontecer uma situação de conflito que se tornou incontrolável.

O conflito acontece principalmente:
Por falhas da organização;
Pela confrontação de personalidades com visões antagónicas sobre um mesmo assunto;
Pelas duas razões anteriores;
Por questões meramente pessoais e extrínsecas ao processo produtivo;
Pelo abuso de autoridade de um agente sobre outro;

 

situacoes

O que é a violência no trabalho?

São formas de pressão exercida sobre trabalhadores e consubstan-ciadas em insultos, ameaças ou agressão física ou psicológica, por parte de pessoas relacionadas com o local de trabalho (trabalhadores, chefias, fornecedores, clientes, vizinhança, etc.) e que se reflectem como um risco para a sua saúde, a segurança e o bem-estar dos trabalhadores.

Tipos de violência

A violência nos locais de trabalho pode revestir-se de diversas formas. Podem ir desde o acto primário da agressão pura e simples, até formas mais subtis e insidiosas, mas nem por isso menos violentas, como sejam a perseguição, a humilhação, a intriga, a calúnia e o assédio.
A violência psicológica inclui o amedrontamento de grupo, pela intimidação e a perseguição sem contacto físico.

Os actos de agressão ou violência assumem diversas formas e podem atingir a vítima na sua estrutura física ou psicológica:

Comportamento descortês – falta de respeito pelos outros;
Agressão física ou verbal – intenção de magoar (Exºs: perseguição com e sem contacto físico);
Assédio moral e sexual – forma de perseguição configurando situações de dependência ou exercício abusivo de poder (Exºs: humilhação, intriga, calúnia);
Ameaça – sob a forma de chantagem (Exºs: amedrontamento de grupo/individual pela intimidação);
Ataque – intenção de prejudicar a outra pessoa.

Consequências

Normalmente associam-se duas reacções distintas:
O agredido reage em conformidade;
O agredido interioriza a agressão e não reage no imediato;
As consequências de qualquer forma de violência, variam naturalmente com a vulnerabilidade psicológica do agredido: medos, fobias, stress, desmotivação, perturbações físicas e psicológicas, nervosismo, falta de atenção, perturbações do sono, etc.

Este tipo de reacções têm, obviamente, interferência sobre a capacidades do indivíduo, particularmente no que diz respeito à sua exposição a situações de risco profissional. A responsabilidade da Organização é a sua detecção e controlo, sob pena de consequências gravosas para o processo.

Avaliação dos riscos, prevenção e gestão de conflitos

As Organizações nas suas Avaliações de Risco, devem ter em consideração as perturbações emocionais dos trabalhadores, em que medida estas podem afectar o Clima Organizacional e, serem elas mesmas, geradoras de potenciais situações de conflito ou mesmo violência.

O processo pode ser dividido numa série de etapas:
– Planeamento da avaliação em consulta com o pessoal.
– Identificação dos perigos.
– Identificação quem se encontra em perigo, onde e como.
– Avaliação do nível do risco e decisão sobre o modo de procedimento.
– Adopção de medidas no sentido de eliminar ou reduzir o risco.
– Acompanhamento e análise das medidas adoptadas.

Prevenção

A prevenção dos riscos de violência realiza-se a dois níveis:

• Ao primeiro nível, o objectivo é basicamente impedir a
ocorrência de actos de violência ou, pelo menos, reduzir
os efeitos dos mesmos.

•Ao segundo nível, se o acto de violência já ocorreu, é necessário providenciar apoio à vítima do incidente e adoptar mecanismos correctivos para o incidente. Este apoio deverá procurar minimizar os efeitos nocivos do incidente e impedir quaisquer sentimentos de vitimização que possam surgir após um acto de agressão e prevenir o sofrimento da vítima.

Prevenção – 1º nível
• Promoção de um clima de harmonia e bom relacionamento entre trabalhadores;
• Identificação de incidentes ou conflitos geradores de descontentamento;
• Acompanhamento de indivíduos potencialmente agressivos;
• Auscultação dos trabalhadores de forma secreta (Cxª de sugestões)
• Questionários de auto-avaliação, sob a forma de check-list);
• Sensibilização das chefias;

Prevenção – 2º nível
• Apoio à vítima;
• Investigação exaustiva das causas determinantes;
• Quantificação, se possível, de que forma é que o processo foi afectado;
• Proposta de alterações (orgânicas, funcionais, etc.) com vista a evitar repetições;
• Punição dos faltosos como exemplo dissuasor;

Gestão dos conflitos

O aparecimento de situações de conflito, não é de todo inevitável. Elas surgem por razões internas (por perturbação da estrutura laboral), ou externas à organização (roubo, assalto, defesa do património, etc.).

Quando estas situações surgem é necessário a organização tenha:
– Uma pronta intervenção;
– Correcção das causas determinantes;

Naturalmente que se a organização tivesse adoptado uma cultura de responsabilidade e um clima de promoção da harmonia de trabalho e de bom relacionamento, muitas das situações de violência nem chegavam a ser despoletadas.

Conclusões

A violência no trabalho, apresente-se como se apresentar, é sempre uma forma ignóbil de relacionamento entre pares. Deve ser combatida e denunciada por todos os que lidam de perto com tais situações.

Todas as formas de violência exercidas em contexto de trabalho, devem ser severamente punidas, por caracterizarem uma cobardia inqualificável.

As chefias têm uma responsabilidade acrescida na identificação e controlo de tais situações. Por isso mesmo, sempre que qualquer forma de violência tem origem numa chefia, a situação é bem mais grave, por ser mais difícil de provar, pela receio do testemunho, pelo superioridade de domínio do agressor no processo, etc.

Violência Doméstica

O que é a violência doméstica?

Tipo de violência que ocorre entre membros da mesma família ou pessoas que partilham o mesmo espaço de habitação. É uma violação dos direitos humanos!
Assume diversas formas:
Maus-tratos físicos e psicológicos
Ameaças e intimidação
Violação
Abuso sexual
Subtracção de menores
Difamação e injúrias
Homicídio

Principais Vítimas

Crianças, Idosos, Portadores de deficiência, Mulheres…
A grande maioria dos casos de violência doméstica são exercidos sobre as mulheres pelos seus companheiros!

CAUSAS:
1) Persistência de desigualdades entre mulheres e homens, com raízes históricas e culturais;
2) Pouca credibilidade na sociedade dos testemunhos das mulheres agredidas, que passam, muitas vezes, de vítimas a acusadas;
3) Descrença na possibilidade de não perseguição pelos agressores ou de punição dos mesmos.

Orientações Internacionais

As Nações Unidas recomendam uma actuação dos Media no sentido de desafiar as atitudes do público face à violência doméstica, que por vezes permitem a sua ocorrência.

No âmbito da União Europeia, a erradicação de todas as formas de violência, em razão do sexo, constitui uma das áreas prioritárias do Roteiro para Igualdade entre Homens e Mulheres

“A Violência contra as Mulheres é talvez a mais vergonhosa violação dos direitos humanos. Não conhece fronteiras geográficas, culturais ou de riqueza. Enquanto se mantiver, não poderemos afirmar que fizemos verdadeiros progressos em direcção à igualdade, ao desenvolvimento e à paz.” Kofi Annan, Ex-Secretário Geral das Nações Unidas

PERFIL DA VÍTIMA

Sexo – Feminino (89,5%)
Idade – 26-55 anos (47,9%)
Estado civil – Casada (51,6%)
Situação Profissional – Trabalhadores não qualificados dos serviços e do comércio (11,6%)
Desempregados (18,7%)
Escolaridade – Ensino Superior (8,5%)
Distrito de residência – Lisboa (32,7%)
Crimes de que são alvo – Maus tratos físicos (30%) e psíquicos (32%)

 

PERFIL DO AUTOR DO CRIME

Sexo: Masculino (90,6%)
Idade: 26-55 anos (41,5%)
Estado civil: Casado (56,7%)
Profissão: Artífices e trabalhadores similares da indústria extractiva e construção civil (6,9%)
Desempregados(11,8%)
Nível de Ensino: 1.º ciclo (5,6%) /
Ensino superior (5,5%)
Relação com a Vítima: Cônjuge/companheiro (65,7%)
Local do crime: Residência comum (77,2%)
Crimes mais frequentes: Maus tratos físicos (30%) /
Maus tratos psíquicos (32%)

Jornal de Notícias, 15/09/2004
Mulheres aprendem a lidar com maridos agressivos:
O marido de Aida passou parte do casamento a bater-lhe. Batia-lhe “porque sim” e “porque não”, conta, ao JN, com o sobrolho carregado. Frustrada, Aida ainda pediu ajuda, algumas vezes, à Polícia, “mas eles vinham a casa e não faziam nada”, recorda, revoltada. Até que um dia, considerando que “era tareia a mais”, a senhora, baixinha mas com físico carregado, resolveu cortar o mal pela raiz. “Agora ele dá-me uma e leva duas”, diz satisfeita. “Há dias deu-me um murro, pois eu deilhe outro tão forte que ele ficou que nem um Cristo”.

Violência nas Relações de Namoro

Qualquer conduta ou omissão de natureza criminal reiterada e/ou intensa ou não, que inflija sofrimentos físicos, sexuais, psicológicos ou económicos, de modo directo ou indirecto, a qualquer pessoa que resida habitualmente no mesmo espaço doméstico ou que não residindo, seja cônjuge ou ex-cônjuge, companheiro/a ou ex-companheiro/a, namorado/a ou exnamorado/ a, ou progenitor de descendente comum, ou esteja, ou tivesse estado, em situação análoga; ou que seja ascendente ou descendente, por consanguinidade, adopção ou afinidade.

Acto de violência física, psicológica e/ou sexual, no contexto de uma relação de namoro, realizado com a intenção de controlar ou dominar o(a) parceiro(a), colocando em risco a sua integridade física e/ou psicológica.

formas

Factores de Risco para a Existência de Violência

Características Individuais:
Baixa auto-estima
Dificuldades de autocontrolo
Consumo de substâncias
Perturbações psicológicas

Violência como comportamento aprendido:
Transmissão intergeracional da violência

Factores Culturais:
Violência como resolução de conflitos
Pressão dos pares
Diferenças de género

Violência no Namoro e Violência Conjugal

ciclo

Fatores que Influenciam a Manutenção nas Relações Abusivas

Medo das consequências da separação
Dificuldade em tomar decisões
Baixa auto-estima e vergonha
Falta de apoio
Esperança na mudança do comportamento
Crenças em mitos

Consequencias da Vitimação

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Físicas:
Perda de energia
Tremores
Tensão arterial alta
Decréscimo dos níveis de resistência
Dores de cabeça e/ou enxaquecas
Arrepios ou afrontamentos
Problemas digestivos
Mudança no comportamento sexual

Psicológicas:
Desconfiança
Tristeza e raiva
Sentimentos de culpa
Flashbacks
Falta de motivação
Instabilidade Emocional
Medos ou fobias
Baixa auto-estima e vergonha
Dificuldade em tomar decisões

Sociais:
Sentimento de Solidão
Tensões Familiares
Medo de estar sozinho(a)
Evitamento de determinados locais
Sentimento Generalizado de Insegurança

 

O Que Uma Vítima de Crime Pode Fazer?

Ir ao hospital, centro de saúde ou Instituto de Medicina Legal

Em caso de existirem agressões físicas, explicar quem as fez e pedir um relatório médico
Apresentar queixa-crime contra o(a) agressor(a) na Policia
Pedir apoio a familiares e amigos
Pedir ajuda a instituições deste âmbito

Ver informação atualizada em:

https://mapadaviolencia.org.br/index.php

A violência doméstica é um dos mais graves problemas a serem enfrentados pela sociedade contemporânea. É uma forma de violência que não obedece a fronteiras, princípios ou leis. Ocorre diariamente no Brasil e em outros países apesar de existirem inúmeros mecanismos constitucionais de proteção aos direitos humanos.

A maioria das pessoas que se sentem vitimizadas ou ameaçadas no contexto de uma situação criminalizável está sempre mais preocupada com a possibilidade de ver-se ressarcida, ajudada ou protegida – ou as três coisas – que com a punição do autor do fato que a atingiu. Por isso é importantíssimo situar a vítima e seus anseios no sistema penal e a atuação do Estado na implementação de políticas compensatórias é imprescindível.

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