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Questões de Português / Geral

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O sino de ouro

[...] - mas me contaram em Goiás, nessa povoação de poucas almas, as casas são pobres e os homens pobres, e muitos são parados e doentes e indolentes, e mesmo a igreja é pequena, me contaram que ali tem - coisa bela e espantosa - um grande sino de ouro.
Lembrança de antigo esplendor, gesto de gratidão, dádiva ao Senhor de um grã-senhor - nem Chartres, nem Colônia, nem S. Pedro ou Ruão, nenhuma catedral imensa com seus enormes carrilhões tem nada capaz de um som tão lindo e puro como esse sino de ouro, de ouro catado e fundido na própria terra goiana nos tempos de antigamente.
É apenas um sino, mas é de ouro. De tarde seu som vai voando em ondas mansas sobre as matas e os cerrados, e as veredas de buritis, e a melancolia do chapadão, e chega ao distante e deserto carrascal, e avança em ondas mansas sobre os campos imensos, o som do sino de ouro. E a cada um daqueles homens pobres ele dá cada dia sua ração de alegria. Eles sabem que de todos os ruídos e sons que fogem do mundo em procura de Deus - gemidos, gritos, blasfêmias, batuques, sinos, orações, e o murmúrio temeroso e agônico das grandes cidades que esperam a explosão atômica e no seu próprio ventre negro parecem conter o germe de todas as explosões - eles sabem que Deus, com especial delícia e alegria, ouve o som alegre do sino de ouro perdido no fundo do sertão. E então é como se cada homem, o mais pobre, o mais doente e humilde, o mais mesquinho e triste, tivesse dentro da alma um pequeno sino de ouro. [...]
Mas quem me contou foi um homem velho que esteve lá; contou dizendo: “eles têm um sino de ouro e acham que vivem disso, não se importam com mais nada, nem querem mais trabalhar; fazem apenas o essencial para comer e continuar a viver, pois acham maravilhoso ter um sino de ouro”.
O homem velho me contou isso com espanto e desprezo. Mas eu contei a uma criança e nos seus olhos se lia seu pensamento: que a coisa mais bonita do mundo deve ser ouvir um sino de ouro. Com certeza é esta mesma a opinião de Deus, pois ainda que Deus não exista ele só pode ter a mesma opinião de uma criança. Pois cada um de nós quando criança tem dentro da alma seu sino de ouro que depois, por nossa culpa e miséria e pecado e corrução*, vai virando ferro e chumbo, vai virando pedra e terra, e lama e podridão. *corrução = corrupção (regionalismo)


(Adaptado de: BRAGA, Rubem. Os melhores contos de Rubem Braga. São Paulo: Global, 1999, 10 ed. p. 131-132.

... que ali tem um grande sino de ouro ... eles têm um sino de ouro O par que se caracteriza pelos mesmos tempo, modo e pessoas em que se encontram os verbos destacados acima é:

a) Os congressistas acabam de aprovar a emenda apresentada na semana passada, para votação, por que consideraram que a mesma vem de encontro aos interesses dos contribuintes, por isso votaram unânimes nela, aprovando-a.
b) Os contratos ora vigentes privilegiam a boa governança empresarial, no sentido de se estabelecerem normas fundamentais para acordos entre partes interessadas, compra e venda de materiais, fornecimento de componentes necessários e cumprimento dos prazos estabelecidos.
c) Conquanto é necessário o comparecimento de todos para o quorum permitindo a votação dos projetos enviados, parece que não será isso possível, já que os participantes da comissão estão envolvidos com outros compromissos, também inadiáveis.
d) As partes interessadas decidiram que os bens que cada parte adquirir, a qualquer título, durante a vigência do contrato, será propriedade comum às partes, e a divisão será de acordo com o que cada uma dessas partes adquirir, quando o contrato for rompido.
e) Como se tratam de documentos de cessão de bens, onde esses bens se encontram relacionados, é importante estabelecer a origem de cada um deles e de seu proprietário, com o propósito de se evitar futuras demandas e acúmulo de processos judiciais,

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Algum forasteiro chega por acaso ao pequeno lugar. O forasteiro propõe negócios. Propõe estradas. Propõe progresso. Os habitantes olham o forasteiro em silêncio. Os habitantes permanecem quietos. Eles ouvem dentro de si seu particular sino de ouro. As frases acima compõem um parágrafo corretamente pontuado, com lógica, clareza e coesão, em:,

a) Ainda que algum forasteiro possa chegar ao pequeno lugar por acaso, que propõe negócios, propõe estradas e propõe progresso. Os habitantes olham o forasteiro em silêncio, permanecem quietos, ouvem dentro de si seu particular sino de ouro.
b) Enquanto algum forasteiro chega por acaso ao pequeno lugar e propõe negócios e mais estradas, com progresso. Os habitantes olham o forasteiro em silêncio, permanecendo quietos e ouvem dentro de si seu particular sino de ouro.
c) Os habitantes do pequeno lugar olham o forasteiro que chega por acaso em silêncio. Eles permanecem quietos, com seu particular sino de ouro que ouvem dentro de si, mesmo com o forasteiro propondo negócios, estradas e progresso.
d) Os habitantes que olham o forasteiro em silêncio e eles permanecem quietos. Eles ouvem dentro de si seu particular sino de ouro, quando ele chega por acaso ao pequeno lugar. Por isso mesmo, o forasteiro propõe negócios, propõe estradas, propõe progresso.
e) Se algum forasteiro, por acaso, chega ao pequeno lugar, propondo negócios, estradas e progresso, os habitantes o olham em silêncio. Permanecendo quietos, ouvem dentro de si seu particular sino de ouro,

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As normas de concordância verbal e nominal estão inteiramente respeitadas em:,

a) É aceito por todos os habitantes a existência de um sino de ouro, apesar da pobreza geral, porque a beleza dos sons por ele emitido não se comparam a nada.
b) Um viajante que chega ao lugarejo deve achar incompatível as condições miseráveis de vida da população e o alto valor de um sino de ouro ali existente.
c) Somente os sons de um sino de ouro poderia tornar-se a maneira mais apropriada, para aqueles pobres homens, de cultivarem e transmitirem seu sentimento religioso.
d) Todos os dias, o som do sino de ouro que se espalha pelos ares enche de alegria o coração dos habitantes e lhes traz uma doce sensação de paz e harmonia.
e) Naquele lugar pequeno e pobre, os sons de um sino de ouro se transforma no maior presente que os moradores é capaz de oferecer aos viajantes que casualmente passam por ali,

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O sino de ouro

[...] - mas me contaram em Goiás, nessa povoação de poucas almas, as casas são pobres e os homens pobres, e muitos são parados e doentes e indolentes, e mesmo a igreja é pequena, me contaram que ali tem - coisa bela e espantosa - um grande sino de ouro.
Lembrança de antigo esplendor, gesto de gratidão, dádiva ao Senhor de um grã-senhor - nem Chartres, nem Colônia, nem S. Pedro ou Ruão, nenhuma catedral imensa com seus enormes carrilhões tem nada capaz de um som tão lindo e puro como esse sino de ouro, de ouro catado e fundido na própria terra goiana nos tempos de antigamente.
É apenas um sino, mas é de ouro. De tarde seu som vai voando em ondas mansas sobre as matas e os cerrados, e as veredas de buritis, e a melancolia do chapadão, e chega ao distante e deserto carrascal, e avança em ondas mansas sobre os campos imensos, o som do sino de ouro. E a cada um daqueles homens pobres ele dá cada dia sua ração de alegria. Eles sabem que de todos os ruídos e sons que fogem do mundo em procura de Deus - gemidos, gritos, blasfêmias, batuques, sinos, orações, e o murmúrio temeroso e agônico das grandes cidades que esperam a explosão atômica e no seu próprio ventre negro parecem conter o germe de todas as explosões - eles sabem que Deus, com especial delícia e alegria, ouve o som alegre do sino de ouro perdido no fundo do sertão. E então é como se cada homem, o mais pobre, o mais doente e humilde, o mais mesquinho e triste, tivesse dentro da alma um pequeno sino de ouro. [...]
Mas quem me contou foi um homem velho que esteve lá; contou dizendo: “eles têm um sino de ouro e acham que vivem disso, não se importam com mais nada, nem querem mais trabalhar; fazem apenas o essencial para comer e continuar a viver, pois acham maravilhoso ter um sino de ouro”.
O homem velho me contou isso com espanto e desprezo. Mas eu contei a uma criança e nos seus olhos se lia seu pensamento: que a coisa mais bonita do mundo deve ser ouvir um sino de ouro. Com certeza é esta mesma a opinião de Deus, pois ainda que Deus não exista ele só pode ter a mesma opinião de uma criança. Pois cada um de nós quando criança tem dentro da alma seu sino de ouro que depois, por nossa culpa e miséria e pecado e corrução*, vai virando ferro e chumbo, vai virando pedra e terra, e lama e podridão. *corrução = corrupção (regionalismo)


(Adaptado de: BRAGA, Rubem. Os melhores contos de Rubem Braga. São Paulo: Global, 1999, 10 ed. p. 131-132.

E a cada um daqueles homens pobres ele dá cada dia sua ração de alegria. A função sintática do termo destacado acima é a mesma do que se encontra, também destacado, em:

a) ... nenhuma catedral imensa [...] tem nada capaz de um som tão lindo e puro...
b) Pois cada um de nós quando criança tem dentro da alma seu sino de ouro ...
c) Eles sabem que de todos os ruídos e sons que fogem do mundo em procura de Deus ...
d) ... que Deus [...] ouve o som alegre do sino de ouro perdido no fundo do sertão.
e) De tarde seu som vai voando em ondas mansas sobre as matas e os cerrados...

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O sino de ouro

[...] - mas me contaram em Goiás, nessa povoação de poucas almas, as casas são pobres e os homens pobres, e muitos são parados e doentes e indolentes, e mesmo a igreja é pequena, me contaram que ali tem - coisa bela e espantosa - um grande sino de ouro.
Lembrança de antigo esplendor, gesto de gratidão, dádiva ao Senhor de um grã-senhor - nem Chartres, nem Colônia, nem S. Pedro ou Ruão, nenhuma catedral imensa com seus enormes carrilhões tem nada capaz de um som tão lindo e puro como esse sino de ouro, de ouro catado e fundido na própria terra goiana nos tempos de antigamente.
É apenas um sino, mas é de ouro. De tarde seu som vai voando em ondas mansas sobre as matas e os cerrados, e as veredas de buritis, e a melancolia do chapadão, e chega ao distante e deserto carrascal, e avança em ondas mansas sobre os campos imensos, o som do sino de ouro. E a cada um daqueles homens pobres ele dá cada dia sua ração de alegria. Eles sabem que de todos os ruídos e sons que fogem do mundo em procura de Deus - gemidos, gritos, blasfêmias, batuques, sinos, orações, e o murmúrio temeroso e agônico das grandes cidades que esperam a explosão atômica e no seu próprio ventre negro parecem conter o germe de todas as explosões - eles sabem que Deus, com especial delícia e alegria, ouve o som alegre do sino de ouro perdido no fundo do sertão. E então é como se cada homem, o mais pobre, o mais doente e humilde, o mais mesquinho e triste, tivesse dentro da alma um pequeno sino de ouro. [...]
Mas quem me contou foi um homem velho que esteve lá; contou dizendo: “eles têm um sino de ouro e acham que vivem disso, não se importam com mais nada, nem querem mais trabalhar; fazem apenas o essencial para comer e continuar a viver, pois acham maravilhoso ter um sino de ouro”.
O homem velho me contou isso com espanto e desprezo. Mas eu contei a uma criança e nos seus olhos se lia seu pensamento: que a coisa mais bonita do mundo deve ser ouvir um sino de ouro. Com certeza é esta mesma a opinião de Deus, pois ainda que Deus não exista ele só pode ter a mesma opinião de uma criança. Pois cada um de nós quando criança tem dentro da alma seu sino de ouro que depois, por nossa culpa e miséria e pecado e corrução*, vai virando ferro e chumbo, vai virando pedra e terra, e lama e podridão. *corrução = corrupção (regionalismo)


(Adaptado de: BRAGA, Rubem. Os melhores contos de Rubem Braga. São Paulo: Global, 1999, 10 ed. p. 131-132.

... que ali tem um grande sino de ouro ... eles têm um sino de ouro O par que se caracteriza pelos mesmos tempo, modo e pessoas em que se encontram os verbos destacados acima é:

a) se lia seu pensamento se liam suas ideias
b) cada um deles fez apenas o essencial fazem apenas o essencial
c) eles sabem que Deus ... se eles soubessem que Deus ...
d) o lugarejo é pobre as casas são pobres
e) O homem velho me contou isso Os habitantes me contaram isso

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[...] - mas me contaram em Goiás, nessa povoação de poucas almas, as casas são pobres e os homens pobres, e muitos são parados e doentes e indolentes, e mesmo a igreja é pequena, me contaram que ali tem - coisa bela e espantosa - um grande sino de ouro.
Lembrança de antigo esplendor, gesto de gratidão, dádiva ao Senhor de um grã-senhor - nem Chartres, nem Colônia, nem S. Pedro ou Ruão, nenhuma catedral imensa com seus enormes carrilhões tem nada capaz de um som tão lindo e puro como esse sino de ouro, de ouro catado e fundido na própria terra goiana nos tempos de antigamente.
É apenas um sino, mas é de ouro. De tarde seu som vai voando em ondas mansas sobre as matas e os cerrados, e as veredas de buritis, e a melancolia do chapadão, e chega ao distante e deserto carrascal, e avança em ondas mansas sobre os campos imensos, o som do sino de ouro. E a cada um daqueles homens pobres ele dá cada dia sua ração de alegria. Eles sabem que de todos os ruídos e sons que fogem do mundo em procura de Deus - gemidos, gritos, blasfêmias, batuques, sinos, orações, e o murmúrio temeroso e agônico das grandes cidades que esperam a explosão atômica e no seu próprio ventre negro parecem conter o germe de todas as explosões - eles sabem que Deus, com especial delícia e alegria, ouve o som alegre do sino de ouro perdido no fundo do sertão. E então é como se cada homem, o mais pobre, o mais doente e humilde, o mais mesquinho e triste, tivesse dentro da alma um pequeno sino de ouro. [...]
Mas quem me contou foi um homem velho que esteve lá; contou dizendo: “eles têm um sino de ouro e acham que vivem disso, não se importam com mais nada, nem querem mais trabalhar; fazem apenas o essencial para comer e continuar a viver, pois acham maravilhoso ter um sino de ouro”.
O homem velho me contou isso com espanto e desprezo. Mas eu contei a uma criança e nos seus olhos se lia seu pensamento: que a coisa mais bonita do mundo deve ser ouvir um sino de ouro. Com certeza é esta mesma a opinião de Deus, pois ainda que Deus não exista ele só pode ter a mesma opinião de uma criança. Pois cada um de nós quando criança tem dentro da alma seu sino de ouro que depois, por nossa culpa e miséria e pecado e corrução*, vai virando ferro e chumbo, vai virando pedra e terra, e lama e podridão. *corrução = corrupção (regionalismo)


(Adaptado de: BRAGA, Rubem. Os melhores contos de Rubem Braga. São Paulo: Global, 1999, 10 ed. p. 131-132.

Considere as afirmativas abaixo a respeito do emprego de sinais de pontuação no texto:

I. O longo segmento isolado por travessões no 3º parágrafo constitui uma enumeração de sentido explicativo em relação à afirmativa que o antecede.
II. Os dois-pontos que aparecem no 4º parágrafo introduzem uma citação, devidamente assinalada pelas aspas que aparecem no seu início e no fim.
III. ... que a coisa m ais bonita do mundo deve ser ouvir um sino de ouro. Estaria inteiramente correta, sem alteração do sentido da afirmativa, a colocação de uma vírgula entre o verbo ser e o verbo ouvir.
IV. Pois cada um de nós quando criança tem dentro da alma seu sino de ouro... O segmento quando criança pode ser isolado por vírgulas, sem prejuízo para a correção da frase.

Está correto o que se afirma APENAS em

a) I, II e IV.
b) I, II e III.
c) II, III e IV.
d) II e III.
e) I e IV,

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O sino de ouro

[...] - mas me contaram em Goiás, nessa povoação de poucas almas, as casas são pobres e os homens pobres, e muitos são parados e doentes e indolentes, e mesmo a igreja é pequena, me contaram que ali tem - coisa bela e espantosa - um grande sino de ouro.
Lembrança de antigo esplendor, gesto de gratidão, dádiva ao Senhor de um grã-senhor - nem Chartres, nem Colônia, nem S. Pedro ou Ruão, nenhuma catedral imensa com seus enormes carrilhões tem nada capaz de um som tão lindo e puro como esse sino de ouro, de ouro catado e fundido na própria terra goiana nos tempos de antigamente.
É apenas um sino, mas é de ouro. De tarde seu som vai voando em ondas mansas sobre as matas e os cerrados, e as veredas de buritis, e a melancolia do chapadão, e chega ao distante e deserto carrascal, e avança em ondas mansas sobre os campos imensos, o som do sino de ouro. E a cada um daqueles homens pobres ele dá cada dia sua ração de alegria. Eles sabem que de todos os ruídos e sons que fogem do mundo em procura de Deus - gemidos, gritos, blasfêmias, batuques, sinos, orações, e o murmúrio temeroso e agônico das grandes cidades que esperam a explosão atômica e no seu próprio ventre negro parecem conter o germe de todas as explosões - eles sabem que Deus, com especial delícia e alegria, ouve o som alegre do sino de ouro perdido no fundo do sertão. E então é como se cada homem, o mais pobre, o mais doente e humilde, o mais mesquinho e triste, tivesse dentro da alma um pequeno sino de ouro. [...]
Mas quem me contou foi um homem velho que esteve lá; contou dizendo: “eles têm um sino de ouro e acham que vivem disso, não se importam com mais nada, nem querem mais trabalhar; fazem apenas o essencial para comer e continuar a viver, pois acham maravilhoso ter um sino de ouro”.
O homem velho me contou isso com espanto e desprezo. Mas eu contei a uma criança e nos seus olhos se lia seu pensamento: que a coisa mais bonita do mundo deve ser ouvir um sino de ouro. Com certeza é esta mesma a opinião de Deus, pois ainda que Deus não exista ele só pode ter a mesma opinião de uma criança. Pois cada um de nós quando criança tem dentro da alma seu sino de ouro que depois, por nossa culpa e miséria e pecado e corrução*, vai virando ferro e chumbo, vai virando pedra e terra, e lama e podridão. *corrução = corrupção (regionalismo)


(Adaptado de: BRAGA, Rubem. Os melhores contos de Rubem Braga. São Paulo: Global, 1999, 10 ed. p. 131-132.

É apenas um sino, mas é de ouro. De tarde seu som vai voando em ondas mansas sobre as matas e os cerrados, e as veredas de buritis, e a melancolia do chapadão, e chega ao distante e deserto carrascal, e avança em ondas mansas sobre os campos imensos, o som do sino de ouro. E a cada um daqueles homens pobres ele dá cada dia sua ração de alegria. [...] E então é como se cada homem, o mais pobre, o mais doente e humilde, o mais mesquinho e triste, tivesse dentro da alma um pequeno sino de ouro. O trecho transcrito acima é exemplo de

a) uso insistente de repetições que interrompem conscientemente o fluxo narrativo, resultando em ideias circulares e expressões já apresentadas anteriormente como, por exemplo, ondas mansas.
b) emprego de recursos sintáticos que garantem o encadeamento das ideias, como a insistência no uso da conjunção e, que imprime, além do mais, ritmo melódico às frases.
c) ressalva em relação a todo o teor do texto, ao pretender acentuar a importância de um sino de ouro, como atestado da antiga prosperidade do lugarejo, agora habitado somente por homens pobres.
d) identificação dos sentimentos religiosos do autor, ao ouvir o som do sino de ouro, participando da alegria demonstrada pelos habitantes do lugar em possuir tão valioso instrumento sonoro.
e) uso prolixo de alguns elementos da língua, pois, ao afirmar que se trata de apenas um sino, ou de um pequeno sino de ouro, o autor diminui a importância desse objeto naquele lugar humilde,

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O sino de ouro

[...] - mas me contaram em Goiás, nessa povoação de poucas almas, as casas são pobres e os homens pobres, e muitos são parados e doentes e indolentes, e mesmo a igreja é pequena, me contaram que ali tem - coisa bela e espantosa - um grande sino de ouro.
Lembrança de antigo esplendor, gesto de gratidão, dádiva ao Senhor de um grã-senhor - nem Chartres, nem Colônia, nem S. Pedro ou Ruão, nenhuma catedral imensa com seus enormes carrilhões tem nada capaz de um som tão lindo e puro como esse sino de ouro, de ouro catado e fundido na própria terra goiana nos tempos de antigamente.
É apenas um sino, mas é de ouro. De tarde seu som vai voando em ondas mansas sobre as matas e os cerrados, e as veredas de buritis, e a melancolia do chapadão, e chega ao distante e deserto carrascal, e avança em ondas mansas sobre os campos imensos, o som do sino de ouro. E a cada um daqueles homens pobres ele dá cada dia sua ração de alegria. Eles sabem que de todos os ruídos e sons que fogem do mundo em procura de Deus - gemidos, gritos, blasfêmias, batuques, sinos, orações, e o murmúrio temeroso e agônico das grandes cidades que esperam a explosão atômica e no seu próprio ventre negro parecem conter o germe de todas as explosões - eles sabem que Deus, com especial delícia e alegria, ouve o som alegre do sino de ouro perdido no fundo do sertão. E então é como se cada homem, o mais pobre, o mais doente e humilde, o mais mesquinho e triste, tivesse dentro da alma um pequeno sino de ouro. [...]
Mas quem me contou foi um homem velho que esteve lá; contou dizendo: “eles têm um sino de ouro e acham que vivem disso, não se importam com mais nada, nem querem mais trabalhar; fazem apenas o essencial para comer e continuar a viver, pois acham maravilhoso ter um sino de ouro”.
O homem velho me contou isso com espanto e desprezo. Mas eu contei a uma criança e nos seus olhos se lia seu pensamento: que a coisa mais bonita do mundo deve ser ouvir um sino de ouro. Com certeza é esta mesma a opinião de Deus, pois ainda que Deus não exista ele só pode ter a mesma opinião de uma criança. Pois cada um de nós quando criança tem dentro da alma seu sino de ouro que depois, por nossa culpa e miséria e pecado e corrução*, vai virando ferro e chumbo, vai virando pedra e terra, e lama e podridão. *corrução = corrupção (regionalismo)


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... das grandes cidades que esperam a explosão atômica e no seu próprio ventre negro parecem conter o germe de todas as explosões... (3º parágrafo) Identifica-se, na afirmativa acima,

a) constatação quanto ao fato de que a explosão demográfica que identifica as grandes cidades tende a inviabilizar a convivência pacífica entre os cidadãos.
b) reconhecimento de perigos externos que venham a comprometer a necessária tranquilidade da vida nas grandes cidades.
c) indicação da existência de uma estabilidade social trazida, incontestavelmente, por uma paz urbana garantida internamente.
d) resignação frente aos problemas vividos por uma população heterogênea, como a que se encontra nos maiores aglomerados urbanos.
e) alusão a uma violência imanente, que pode tornar-se fator de desestabilização da vida em sociedade, principalmente em grandes centros urbanos,

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[...] - mas me contaram em Goiás, nessa povoação de poucas almas, as casas são pobres e os homens pobres, e muitos são parados e doentes e indolentes, e mesmo a igreja é pequena, me contaram que ali tem - coisa bela e espantosa - um grande sino de ouro.
Lembrança de antigo esplendor, gesto de gratidão, dádiva ao Senhor de um grã-senhor - nem Chartres, nem Colônia, nem S. Pedro ou Ruão, nenhuma catedral imensa com seus enormes carrilhões tem nada capaz de um som tão lindo e puro como esse sino de ouro, de ouro catado e fundido na própria terra goiana nos tempos de antigamente.
É apenas um sino, mas é de ouro. De tarde seu som vai voando em ondas mansas sobre as matas e os cerrados, e as veredas de buritis, e a melancolia do chapadão, e chega ao distante e deserto carrascal, e avança em ondas mansas sobre os campos imensos, o som do sino de ouro. E a cada um daqueles homens pobres ele dá cada dia sua ração de alegria. Eles sabem que de todos os ruídos e sons que fogem do mundo em procura de Deus - gemidos, gritos, blasfêmias, batuques, sinos, orações, e o murmúrio temeroso e agônico das grandes cidades que esperam a explosão atômica e no seu próprio ventre negro parecem conter o germe de todas as explosões - eles sabem que Deus, com especial delícia e alegria, ouve o som alegre do sino de ouro perdido no fundo do sertão. E então é como se cada homem, o mais pobre, o mais doente e humilde, o mais mesquinho e triste, tivesse dentro da alma um pequeno sino de ouro. [...]
Mas quem me contou foi um homem velho que esteve lá; contou dizendo: “eles têm um sino de ouro e acham que vivem disso, não se importam com mais nada, nem querem mais trabalhar; fazem apenas o essencial para comer e continuar a viver, pois acham maravilhoso ter um sino de ouro”.
O homem velho me contou isso com espanto e desprezo. Mas eu contei a uma criança e nos seus olhos se lia seu pensamento: que a coisa mais bonita do mundo deve ser ouvir um sino de ouro. Com certeza é esta mesma a opinião de Deus, pois ainda que Deus não exista ele só pode ter a mesma opinião de uma criança. Pois cada um de nós quando criança tem dentro da alma seu sino de ouro que depois, por nossa culpa e miséria e pecado e corrução*, vai virando ferro e chumbo, vai virando pedra e terra, e lama e podridão. *corrução = corrupção (regionalismo)


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No último parágrafo, identifica-se

a) a conclusão pertinente de todo o desenvolvimento textual, com oposição entre a visão de espanto e desprezo de um homem velho e a ingenuidade e a simplicidade de uma criança, ainda não corrompida pelos desencantos da vida.
b) a introdução de um novo argumento de sustentação da ideia central do texto, ou seja, a de que os seres humanos estarão sempre sujeitos à perda de valores morais e religiosos, principalmente se conseguem alcançar riquezas materiais.
c) uma opinião emitida pelo próprio autor, em que expõe sua dúvida pessoal quanto à real importância atribuída a um objeto de alto valor, como um sino de ouro, desnecessário, entretanto, para uma população tão pobre e desamparada.
d) uma censura ao emprego indevido de bens materiais, simbolizados na utilização do ouro extraído do próprio lugar, onde nada mais existe, a não ser indolência e miséria, para fundir um sino, cujo benefício está apenas na sonoridade, ainda que bela.
e) o desprezo do autor diante da história que lhe foi contada, por considerar o contraste entre a pobreza das pessoas e a quantidade de ouro necessária para a fundição de um sino, sem valor imediato para melhorar as condições de vida na região.

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O sino de ouro

[...] - mas me contaram em Goiás, nessa povoação de poucas almas, as casas são pobres e os homens pobres, e muitos são parados e doentes e indolentes, e mesmo a igreja é pequena, me contaram que ali tem - coisa bela e espantosa - um grande sino de ouro.
Lembrança de antigo esplendor, gesto de gratidão, dádiva ao Senhor de um grã-senhor - nem Chartres, nem Colônia, nem S. Pedro ou Ruão, nenhuma catedral imensa com seus enormes carrilhões tem nada capaz de um som tão lindo e puro como esse sino de ouro, de ouro catado e fundido na própria terra goiana nos tempos de antigamente.
É apenas um sino, mas é de ouro. De tarde seu som vai voando em ondas mansas sobre as matas e os cerrados, e as veredas de buritis, e a melancolia do chapadão, e chega ao distante e deserto carrascal, e avança em ondas mansas sobre os campos imensos, o som do sino de ouro. E a cada um daqueles homens pobres ele dá cada dia sua ração de alegria. Eles sabem que de todos os ruídos e sons que fogem do mundo em procura de Deus - gemidos, gritos, blasfêmias, batuques, sinos, orações, e o murmúrio temeroso e agônico das grandes cidades que esperam a explosão atômica e no seu próprio ventre negro parecem conter o germe de todas as explosões - eles sabem que Deus, com especial delícia e alegria, ouve o som alegre do sino de ouro perdido no fundo do sertão. E então é como se cada homem, o mais pobre, o mais doente e humilde, o mais mesquinho e triste, tivesse dentro da alma um pequeno sino de ouro. [...]
Mas quem me contou foi um homem velho que esteve lá; contou dizendo: “eles têm um sino de ouro e acham que vivem disso, não se importam com mais nada, nem querem mais trabalhar; fazem apenas o essencial para comer e continuar a viver, pois acham maravilhoso ter um sino de ouro”.
O homem velho me contou isso com espanto e desprezo. Mas eu contei a uma criança e nos seus olhos se lia seu pensamento: que a coisa mais bonita do mundo deve ser ouvir um sino de ouro. Com certeza é esta mesma a opinião de Deus, pois ainda que Deus não exista ele só pode ter a mesma opinião de uma criança. Pois cada um de nós quando criança tem dentro da alma seu sino de ouro que depois, por nossa culpa e miséria e pecado e corrução*, vai virando ferro e chumbo, vai virando pedra e terra, e lama e podridão. *corrução = corrupção (regionalismo)


(Adaptado de: BRAGA, Rubem. Os melhores contos de Rubem Braga. São Paulo: Global, 1999, 10 ed. p. 131-132.

O desenvolvimento do texto salienta, especialmente,

a) a importância da preservação de um meio ambiente favorável à propagação do som oriundo das badaladas de um sino de ouro que, ecoando na natureza, traz alegria para aqueles que o estão ouvindo.
b) a permanência de uma concepção materialista voltada para elementos terrenos de valor incontestável perante os homens, representado pelo sino de ouro que resgata as antigas riqueza e importância do lugar.
c) o contraste entre antiga riqueza e atual pobreza, assim como entre a grandeza de catedrais famosas e a simplicidade do lugarejo em que a existência de um sino de ouro se mostra como algo extraordinário.
d) o esforço de uma população que vive sem recursos em uma região distante e abandonada, no sentido de demonstrar sua fé através do som produzido por um objeto de grande valor, como o sino de ouro.
e) o desencanto das pessoas mais velhas com a decadência do lugar onde vivem, de cuja grandiosidade restou apenas um sino de ouro que, ainda que pequeno, corrobora suas convicções religiosas.

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