Questões da Banca CCV - UFC

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CCV - UFC - UFCE - Analista de Tecnologia da Informação - 2008
Português / Geral

Texto 1

NINGUÉM MAIS DIZ NÃO SEI

Fabrício Carpinejar



Não conheço mais ninguém que diga com ares de autêntica modéstia: "Não sei". Todos
professam conhecimento sobre tudo, opinam sobre qualquer coisa, exercem uma rede de certezas que
me deixa entontecido. Parece que virou crime dizer "Não sei". [...] A regra é falar sem parar, mesmo
quando o assunto não começou. Diálogos epilépticos, pulando freneticamente de temas, sem fim
possível.
[...] Com a Internet, Orkut e céleres estruturas de informação, apesar de tantas virtudes
comunicativas e de convivência que geraram, criou-se uma geração de palpiteiros, mais do que
formadores de opinião. A vivência foi substituída pela vidência. Pior que enganar os outros é se
enganar. Na verdade, dura verdade, a cultura não se adquire sem esforço, inquietações, ensaios e
exercícios, vacilos e resistência. A memória não se dá bem com facilidades. A afetividade se
desenvolve na dúvida, na absorção amadurada do raciocínio. Inteligência é também a humildade de
se calar e de se retirar para estudar mais, ao contrário do que vem sendo alardeado aos quatro cantos
do cérebro: de falar a todo momento para mostrar erudição. [...]
Acredito que é o momento de preservar a ignorância, de instaurar uma "Renascença às avessas".
Se a Renascença valorizou o homem completo, o Leonardo da Vinci, a multiplicidade dos talentos
em um único indivíduo (pintor, inventor, fabulista, cientista, poeta, pensador), deve-se entusiasmar
agora o "homem incompleto", insuficiente, que admite desconhecer temas e assuntos para não
atrofiar sua curiosidade.
Um teólogo das antigas, Nicolau de Cusa (1401-1464), elogiado por Giordano Bruno, escreveu
um livro chamado Douta Ignorância, em que recomenda a conscientização do que não se aprendeu
para saber mais. Quem não sabe vai atrás. Quem diz que sabe apenas se conforma em dizer que sabe.
A sinceridade é a melhor forma de não sofrer para depois explicar o que o Google não listou. Viver
já é uma pós-graduação e não admite fingimentos porque a vida não dá trégua para a imaginação ou
fornece instruções de comissário de bordo. Exige o mais difícil sempre. Antes de um beijo, de um
abraço, de uma despedida, não se recebe pausa para pensar o que fazer e escrever rascunhos. Não há
tempo para raciocinar nem existe curso preparatório para viver - vive-se de cara.

Superinteressante, jan. 2005, p. 90.


O sufixo presente em bichinho apresenta, no texto, um valor:

a) intensificador.
b) superlativo.
c) atenuador.
d) pejorativo.
e) afetivo.

CCV - UFC - UFCE - Analista de Tecnologia da Informação - 2008
Português / Geral

Texto 1

NINGUÉM MAIS DIZ NÃO SEI

Fabrício Carpinejar



Não conheço mais ninguém que diga com ares de autêntica modéstia: "Não sei". Todos
professam conhecimento sobre tudo, opinam sobre qualquer coisa, exercem uma rede de certezas que
me deixa entontecido. Parece que virou crime dizer "Não sei". [...] A regra é falar sem parar, mesmo
quando o assunto não começou. Diálogos epilépticos, pulando freneticamente de temas, sem fim
possível.
[...] Com a Internet, Orkut e céleres estruturas de informação, apesar de tantas virtudes
comunicativas e de convivência que geraram, criou-se uma geração de palpiteiros, mais do que
formadores de opinião. A vivência foi substituída pela vidência. Pior que enganar os outros é se
enganar. Na verdade, dura verdade, a cultura não se adquire sem esforço, inquietações, ensaios e
exercícios, vacilos e resistência. A memória não se dá bem com facilidades. A afetividade se
desenvolve na dúvida, na absorção amadurada do raciocínio. Inteligência é também a humildade de
se calar e de se retirar para estudar mais, ao contrário do que vem sendo alardeado aos quatro cantos
do cérebro: de falar a todo momento para mostrar erudição. [...]
Acredito que é o momento de preservar a ignorância, de instaurar uma "Renascença às avessas".
Se a Renascença valorizou o homem completo, o Leonardo da Vinci, a multiplicidade dos talentos
em um único indivíduo (pintor, inventor, fabulista, cientista, poeta, pensador), deve-se entusiasmar
agora o "homem incompleto", insuficiente, que admite desconhecer temas e assuntos para não
atrofiar sua curiosidade.
Um teólogo das antigas, Nicolau de Cusa (1401-1464), elogiado por Giordano Bruno, escreveu
um livro chamado Douta Ignorância, em que recomenda a conscientização do que não se aprendeu
para saber mais. Quem não sabe vai atrás. Quem diz que sabe apenas se conforma em dizer que sabe.
A sinceridade é a melhor forma de não sofrer para depois explicar o que o Google não listou. Viver
já é uma pós-graduação e não admite fingimentos porque a vida não dá trégua para a imaginação ou
fornece instruções de comissário de bordo. Exige o mais difícil sempre. Antes de um beijo, de um
abraço, de uma despedida, não se recebe pausa para pensar o que fazer e escrever rascunhos. Não há
tempo para raciocinar nem existe curso preparatório para viver - vive-se de cara.

Superinteressante, jan. 2005, p. 90.


Assinale a alternativa cujo trecho de letra de música resume a idéia central do texto.

a) "Queria ter aceitado a vida como ela é" (Epitáfio - Titãs).
b) "Demasiadas palavras, fraco impulso de vida" (Eclipse Oculto - Caetano Veloso).
c) "A gente quer ter voz ativa, no nosso destino mandar" (Roda Viva - Chico Buarque) .
d) "Somos sozinhos nessa multidão, nós somos só um coração" (Tudo Azul - Lulu Santos).
e) "A dor da paixão não tem explicação, como definir o que só sei sentir" (Ontem ao Luar - Marisa Monte) .

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Fabrício Carpinejar



Não conheço mais ninguém que diga com ares de autêntica modéstia: "Não sei". Todos
professam conhecimento sobre tudo, opinam sobre qualquer coisa, exercem uma rede de certezas que
me deixa entontecido. Parece que virou crime dizer "Não sei". [...] A regra é falar sem parar, mesmo
quando o assunto não começou. Diálogos epilépticos, pulando freneticamente de temas, sem fim
possível.
[...] Com a Internet, Orkut e céleres estruturas de informação, apesar de tantas virtudes
comunicativas e de convivência que geraram, criou-se uma geração de palpiteiros, mais do que
formadores de opinião. A vivência foi substituída pela vidência. Pior que enganar os outros é se
enganar. Na verdade, dura verdade, a cultura não se adquire sem esforço, inquietações, ensaios e
exercícios, vacilos e resistência. A memória não se dá bem com facilidades. A afetividade se
desenvolve na dúvida, na absorção amadurada do raciocínio. Inteligência é também a humildade de
se calar e de se retirar para estudar mais, ao contrário do que vem sendo alardeado aos quatro cantos
do cérebro: de falar a todo momento para mostrar erudição. [...]
Acredito que é o momento de preservar a ignorância, de instaurar uma "Renascença às avessas".
Se a Renascença valorizou o homem completo, o Leonardo da Vinci, a multiplicidade dos talentos
em um único indivíduo (pintor, inventor, fabulista, cientista, poeta, pensador), deve-se entusiasmar
agora o "homem incompleto", insuficiente, que admite desconhecer temas e assuntos para não
atrofiar sua curiosidade.
Um teólogo das antigas, Nicolau de Cusa (1401-1464), elogiado por Giordano Bruno, escreveu
um livro chamado Douta Ignorância, em que recomenda a conscientização do que não se aprendeu
para saber mais. Quem não sabe vai atrás. Quem diz que sabe apenas se conforma em dizer que sabe.
A sinceridade é a melhor forma de não sofrer para depois explicar o que o Google não listou. Viver
já é uma pós-graduação e não admite fingimentos porque a vida não dá trégua para a imaginação ou
fornece instruções de comissário de bordo. Exige o mais difícil sempre. Antes de um beijo, de um
abraço, de uma despedida, não se recebe pausa para pensar o que fazer e escrever rascunhos. Não há
tempo para raciocinar nem existe curso preparatório para viver - vive-se de cara.

Superinteressante, jan. 2005, p. 90.


O trecho "admite desconhecer temas e assuntos para não atrofiar sua curiosidade" (linhas 17-18) denota que:

a) a memória reduz a curiosidade.
b) a ignorância aguça a curiosidade.
c) a curiosidade diminui a humildade.
d) a curiosidade aumenta a ignorância.
e) a ignorância enfraquece a curiosidade.

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NINGUÉM MAIS DIZ NÃO SEI

Fabrício Carpinejar



Não conheço mais ninguém que diga com ares de autêntica modéstia: "Não sei". Todos
professam conhecimento sobre tudo, opinam sobre qualquer coisa, exercem uma rede de certezas que
me deixa entontecido. Parece que virou crime dizer "Não sei". [...] A regra é falar sem parar, mesmo
quando o assunto não começou. Diálogos epilépticos, pulando freneticamente de temas, sem fim
possível.
[...] Com a Internet, Orkut e céleres estruturas de informação, apesar de tantas virtudes
comunicativas e de convivência que geraram, criou-se uma geração de palpiteiros, mais do que
formadores de opinião. A vivência foi substituída pela vidência. Pior que enganar os outros é se
enganar. Na verdade, dura verdade, a cultura não se adquire sem esforço, inquietações, ensaios e
exercícios, vacilos e resistência. A memória não se dá bem com facilidades. A afetividade se
desenvolve na dúvida, na absorção amadurada do raciocínio. Inteligência é também a humildade de
se calar e de se retirar para estudar mais, ao contrário do que vem sendo alardeado aos quatro cantos
do cérebro: de falar a todo momento para mostrar erudição. [...]
Acredito que é o momento de preservar a ignorância, de instaurar uma "Renascença às avessas".
Se a Renascença valorizou o homem completo, o Leonardo da Vinci, a multiplicidade dos talentos
em um único indivíduo (pintor, inventor, fabulista, cientista, poeta, pensador), deve-se entusiasmar
agora o "homem incompleto", insuficiente, que admite desconhecer temas e assuntos para não
atrofiar sua curiosidade.
Um teólogo das antigas, Nicolau de Cusa (1401-1464), elogiado por Giordano Bruno, escreveu
um livro chamado Douta Ignorância, em que recomenda a conscientização do que não se aprendeu
para saber mais. Quem não sabe vai atrás. Quem diz que sabe apenas se conforma em dizer que sabe.
A sinceridade é a melhor forma de não sofrer para depois explicar o que o Google não listou. Viver
já é uma pós-graduação e não admite fingimentos porque a vida não dá trégua para a imaginação ou
fornece instruções de comissário de bordo. Exige o mais difícil sempre. Antes de um beijo, de um
abraço, de uma despedida, não se recebe pausa para pensar o que fazer e escrever rascunhos. Não há
tempo para raciocinar nem existe curso preparatório para viver - vive-se de cara.

Superinteressante, jan. 2005, p. 90.


Assinale a alternativa cujo trecho é narrativo.

a) "Todos professam conhecimento sobre tudo, opinam sobre qualquer coisa" (linhas 01-02).
b) "A regra é falar sem parar, mesmo quando o assunto não começou" (linhas 03-04).
c) "a cultura não se adquire sem esforço, inquietações, ensaios e exercícios" (linhas 09-10).
d) "Se a Renascença valorizou o homem completo [...], deve-se entusiasmar agora o "homem incompleto"" (linhas 15-17).
e) "Nicolau de Cusa [...] escreveu um livro chamado Douta Ignorância" (linhas 19-20).

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Português / Geral

Assinale a alternativa em que os termos aparecem devidamente ordenados do geral para o específico, conforme o sentido no texto.

a) Internet - Orkut - Google.
b) Cultura - vidência - vivência.
c) Da Vinci - inventor - Renascença.
d) Estruturas de informação - Internet - Google.
e) Douta Ignorância - homem - Giordano Bruno.

CCV - UFC - UFCE - Analista de Tecnologia da Informação - 2008
Português / Geral

Assinale a alternativa em que, no processo de derivação por sufixo, houve queda de sílaba.

a) humildade.
b) afetividade.
c) facilidades.
d) curiosidade.
e) sinceridade.

CCV - UFC - UFCE - Analista de Tecnologia da Informação - 2008
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Fabrício Carpinejar



Não conheço mais ninguém que diga com ares de autêntica modéstia: "Não sei". Todos
professam conhecimento sobre tudo, opinam sobre qualquer coisa, exercem uma rede de certezas que
me deixa entontecido. Parece que virou crime dizer "Não sei". [...] A regra é falar sem parar, mesmo
quando o assunto não começou. Diálogos epilépticos, pulando freneticamente de temas, sem fim
possível.
[...] Com a Internet, Orkut e céleres estruturas de informação, apesar de tantas virtudes
comunicativas e de convivência que geraram, criou-se uma geração de palpiteiros, mais do que
formadores de opinião. A vivência foi substituída pela vidência. Pior que enganar os outros é se
enganar. Na verdade, dura verdade, a cultura não se adquire sem esforço, inquietações, ensaios e
exercícios, vacilos e resistência. A memória não se dá bem com facilidades. A afetividade se
desenvolve na dúvida, na absorção amadurada do raciocínio. Inteligência é também a humildade de
se calar e de se retirar para estudar mais, ao contrário do que vem sendo alardeado aos quatro cantos
do cérebro: de falar a todo momento para mostrar erudição. [...]
Acredito que é o momento de preservar a ignorância, de instaurar uma "Renascença às avessas".
Se a Renascença valorizou o homem completo, o Leonardo da Vinci, a multiplicidade dos talentos
em um único indivíduo (pintor, inventor, fabulista, cientista, poeta, pensador), deve-se entusiasmar
agora o "homem incompleto", insuficiente, que admite desconhecer temas e assuntos para não
atrofiar sua curiosidade.
Um teólogo das antigas, Nicolau de Cusa (1401-1464), elogiado por Giordano Bruno, escreveu
um livro chamado Douta Ignorância, em que recomenda a conscientização do que não se aprendeu
para saber mais. Quem não sabe vai atrás. Quem diz que sabe apenas se conforma em dizer que sabe.
A sinceridade é a melhor forma de não sofrer para depois explicar o que o Google não listou. Viver
já é uma pós-graduação e não admite fingimentos porque a vida não dá trégua para a imaginação ou
fornece instruções de comissário de bordo. Exige o mais difícil sempre. Antes de um beijo, de um
abraço, de uma despedida, não se recebe pausa para pensar o que fazer e escrever rascunhos. Não há
tempo para raciocinar nem existe curso preparatório para viver - vive-se de cara.

Superinteressante, jan. 2005, p. 90.


Assinale a alternativa correta quanto à análise fonológica do termo indicado.

a) Há uma consoante nasal velar em imaginação.
b) Há duas consoantes velares e um dígrafo em Renascença.
c) Há uma consoante palatal e um ditongo crescente em ninguém.
d) Há um encontro consonantal e duas vogais posteriores em abraço.
e) Há uma vogal anterior tônica e duas consoantes fricativas em vivência.

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professam conhecimento sobre tudo, opinam sobre qualquer coisa, exercem uma rede de certezas que
me deixa entontecido. Parece que virou crime dizer "Não sei". [...] A regra é falar sem parar, mesmo
quando o assunto não começou. Diálogos epilépticos, pulando freneticamente de temas, sem fim
possível.
[...] Com a Internet, Orkut e céleres estruturas de informação, apesar de tantas virtudes
comunicativas e de convivência que geraram, criou-se uma geração de palpiteiros, mais do que
formadores de opinião. A vivência foi substituída pela vidência. Pior que enganar os outros é se
enganar. Na verdade, dura verdade, a cultura não se adquire sem esforço, inquietações, ensaios e
exercícios, vacilos e resistência. A memória não se dá bem com facilidades. A afetividade se
desenvolve na dúvida, na absorção amadurada do raciocínio. Inteligência é também a humildade de
se calar e de se retirar para estudar mais, ao contrário do que vem sendo alardeado aos quatro cantos
do cérebro: de falar a todo momento para mostrar erudição. [...]
Acredito que é o momento de preservar a ignorância, de instaurar uma "Renascença às avessas".
Se a Renascença valorizou o homem completo, o Leonardo da Vinci, a multiplicidade dos talentos
em um único indivíduo (pintor, inventor, fabulista, cientista, poeta, pensador), deve-se entusiasmar
agora o "homem incompleto", insuficiente, que admite desconhecer temas e assuntos para não
atrofiar sua curiosidade.
Um teólogo das antigas, Nicolau de Cusa (1401-1464), elogiado por Giordano Bruno, escreveu
um livro chamado Douta Ignorância, em que recomenda a conscientização do que não se aprendeu
para saber mais. Quem não sabe vai atrás. Quem diz que sabe apenas se conforma em dizer que sabe.
A sinceridade é a melhor forma de não sofrer para depois explicar o que o Google não listou. Viver
já é uma pós-graduação e não admite fingimentos porque a vida não dá trégua para a imaginação ou
fornece instruções de comissário de bordo. Exige o mais difícil sempre. Antes de um beijo, de um
abraço, de uma despedida, não se recebe pausa para pensar o que fazer e escrever rascunhos. Não há
tempo para raciocinar nem existe curso preparatório para viver - vive-se de cara.

Superinteressante, jan. 2005, p. 90.



Assinale a alternativa que avalia corretamente o trecho "elogiado por Giordano Bruno" (linha 19).

a) É aposto, portanto não tem importância semântica nem sintática no contexto.
b) É aposto e reitera qualquer inovação que não seja conforme a antiga Teologia.
c) É adjunto adnominal e reforça o gosto de Nicolau de Cusa pela erudição livresca.
d) É aposto e funciona como juízo de autoridade para reforçar a tese de Nicolau de Cusa.
e) É adjunto adnominal e apóia a tese de Nicolau de Cusa quanto às inovações da Renascença.

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Não conheço mais ninguém que diga com ares de autêntica modéstia: "Não sei". Todos
professam conhecimento sobre tudo, opinam sobre qualquer coisa, exercem uma rede de certezas que
me deixa entontecido. Parece que virou crime dizer "Não sei". [...] A regra é falar sem parar, mesmo
quando o assunto não começou. Diálogos epilépticos, pulando freneticamente de temas, sem fim
possível.
[...] Com a Internet, Orkut e céleres estruturas de informação, apesar de tantas virtudes
comunicativas e de convivência que geraram, criou-se uma geração de palpiteiros, mais do que
formadores de opinião. A vivência foi substituída pela vidência. Pior que enganar os outros é se
enganar. Na verdade, dura verdade, a cultura não se adquire sem esforço, inquietações, ensaios e
exercícios, vacilos e resistência. A memória não se dá bem com facilidades. A afetividade se
desenvolve na dúvida, na absorção amadurada do raciocínio. Inteligência é também a humildade de
se calar e de se retirar para estudar mais, ao contrário do que vem sendo alardeado aos quatro cantos
do cérebro: de falar a todo momento para mostrar erudição. [...]
Acredito que é o momento de preservar a ignorância, de instaurar uma "Renascença às avessas".
Se a Renascença valorizou o homem completo, o Leonardo da Vinci, a multiplicidade dos talentos
em um único indivíduo (pintor, inventor, fabulista, cientista, poeta, pensador), deve-se entusiasmar
agora o "homem incompleto", insuficiente, que admite desconhecer temas e assuntos para não
atrofiar sua curiosidade.
Um teólogo das antigas, Nicolau de Cusa (1401-1464), elogiado por Giordano Bruno, escreveu
um livro chamado Douta Ignorância, em que recomenda a conscientização do que não se aprendeu
para saber mais. Quem não sabe vai atrás. Quem diz que sabe apenas se conforma em dizer que sabe.
A sinceridade é a melhor forma de não sofrer para depois explicar o que o Google não listou. Viver
já é uma pós-graduação e não admite fingimentos porque a vida não dá trégua para a imaginação ou
fornece instruções de comissário de bordo. Exige o mais difícil sempre. Antes de um beijo, de um
abraço, de uma despedida, não se recebe pausa para pensar o que fazer e escrever rascunhos. Não há
tempo para raciocinar nem existe curso preparatório para viver - vive-se de cara.

Superinteressante, jan. 2005, p. 90.


Com a expressão “Um teólogo das antigas” (linha 19), o autor se refere a um:

a) estudioso de Teologia antiga.
b) estudioso de antiga Teologia.
c) antigo estudioso de Teologia.
d) estudioso de Teologia erudita.
e) erudito estudioso de Teologia.

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Não conheço mais ninguém que diga com ares de autêntica modéstia: "Não sei". Todos
professam conhecimento sobre tudo, opinam sobre qualquer coisa, exercem uma rede de certezas que
me deixa entontecido. Parece que virou crime dizer "Não sei". [...] A regra é falar sem parar, mesmo
quando o assunto não começou. Diálogos epilépticos, pulando freneticamente de temas, sem fim
possível.
[...] Com a Internet, Orkut e céleres estruturas de informação, apesar de tantas virtudes
comunicativas e de convivência que geraram, criou-se uma geração de palpiteiros, mais do que
formadores de opinião. A vivência foi substituída pela vidência. Pior que enganar os outros é se
enganar. Na verdade, dura verdade, a cultura não se adquire sem esforço, inquietações, ensaios e
exercícios, vacilos e resistência. A memória não se dá bem com facilidades. A afetividade se
desenvolve na dúvida, na absorção amadurada do raciocínio. Inteligência é também a humildade de
se calar e de se retirar para estudar mais, ao contrário do que vem sendo alardeado aos quatro cantos
do cérebro: de falar a todo momento para mostrar erudição. [...]
Acredito que é o momento de preservar a ignorância, de instaurar uma "Renascença às avessas".
Se a Renascença valorizou o homem completo, o Leonardo da Vinci, a multiplicidade dos talentos
em um único indivíduo (pintor, inventor, fabulista, cientista, poeta, pensador), deve-se entusiasmar
agora o "homem incompleto", insuficiente, que admite desconhecer temas e assuntos para não
atrofiar sua curiosidade.
Um teólogo das antigas, Nicolau de Cusa (1401-1464), elogiado por Giordano Bruno, escreveu
um livro chamado Douta Ignorância, em que recomenda a conscientização do que não se aprendeu
para saber mais. Quem não sabe vai atrás. Quem diz que sabe apenas se conforma em dizer que sabe.
A sinceridade é a melhor forma de não sofrer para depois explicar o que o Google não listou. Viver
já é uma pós-graduação e não admite fingimentos porque a vida não dá trégua para a imaginação ou
fornece instruções de comissário de bordo. Exige o mais difícil sempre. Antes de um beijo, de um
abraço, de uma despedida, não se recebe pausa para pensar o que fazer e escrever rascunhos. Não há
tempo para raciocinar nem existe curso preparatório para viver - vive-se de cara.

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Com a expressão "Renascença às avessas" (linha 14), o autor se refere:

a) à percepção da douta ignorância.
b) ao desprezo pela busca das certezas.
c) ao descaso pelos meios de comunicação.
d) à rejeição de qualquer forma de erudição.
e) ao culto por homens como Leonardo da Vinci.

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