O croquete
No botequim, o homem de camiseta olha o compartimento reservado aos croquetes. É um homem maltratado, com os fundos das calças muito sujos. Deve trabalhar sentado no chão. Ou não trabalhar. Mas é um desses homens que se sentam no chão. Seus cabelos não devem ter sido lavados nesses últimos cinco anos. Lavou-os, quem sabe, na inauguração de Brasília. Seus sapatos dão a impressão de que os pés já foram maiores. Em cada um quase há lugar para mais um pé. Enfim, um homem de camiseta, calça suja e sapatos velhos, bem grandes.
Olha, há já alguns minutos, para a vitrine de croquetes. Como uma mulher olharia para uma vitrine de joias. Há croquetes de variados formatos, mas de conte...