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Q598606
As novas configurações familiares, evidenciadas nas ultimas décadas, estão relacionadas às transformações sociais contemporâneas. Essas alterações do formato e das relações familiares devem ser compreendidas como novas possibilidades e alternativas de sociabilidade e não como desvio e fontes de fragilidades do grupo familiar. Por outro lado, no que se refere à sua inserção, em seus novos arranjos, na estrutura social, especialmente as famílias brasileiras de camadas populares estão fortemente pressionadas pela política econômica, que é fonte geradora de estresse familiar. Nesta perspectiva, é correto afirmar que o processo de modernização tem levado as famílias a
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Q598605
A separação de um casal constitui um dos momentos de maior desorganização do sistema familiar, e um dos principais desafios é manter a sociedade parental e desfazer a sociedade conjugal. Na separação, o ponto mais delicado é a questão da guarda. A guarda dos filhos menores costuma ser concedida à mãe, embora na Constituição Federal fique garantida a igualdade de tratamento entre homens e mulheres. Tem chamado a atenção dos pesquisadores as consequências de guarda única, que estabelece um tipo de convivência entre pais e filhos que permite a instalação de um padrão de relacionamento capaz de se tornar abusivo, do ponto de vista psicológico, na dinâmica familiar. Trata-se da prática de dificultar o contato e a convivência dos filhos pequenos com um dos genitores, caracterizado como
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Q598604
Fala-se muito em interdisciplinaridade como uma das formas de superar o problema da fragmentação do saber e da formação profissional. A fragmentação do saber tem sua origem na divisão social do trabalho e, na sua forma específica moderna, na fragmentação do processo capitalista de produção da riqueza material. Ao impedir uma visão de totalidade do processo social e ao gerar uma compreensão desse mesmo processo apenas em sua aparência, essa forma de saber contribui para reproduzir uma sociedade que favorece os interesses da burguesia. A superação dessa cisão no âmbito do saber e a almejada interdisciplinaridade passa, necessariamente, pela
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Q598603
Refrações da questão social como a violência, preconceitos, discriminações e tantas outras, desafiam os assistentes sociais diariamente, sendo-lhes demandadas questões que, por sua vez, implicam diálogo com profissionais de diversas áreas. No Serviço Social, a interdisciplinaridade pode ser trabalhada como uma possibilidade já a partir da formação profissional, na medida em que há uma profunda articulação do conhecimento advindo de uma formação que se pretende
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Q598602
Um dos lócus onde a prática profissional do assistente social predominantemente ocorre, sob vínculo empregatício e assalariado, é o das instituições. Ali, no cotidiano do trabalho, o sujeito se depara com atividades normatizadas, técnico-burocráticas onde, via de regra, a preocupação está mais voltada para a produção quantitativa do que para resultados qualitativos e duradouros. Mesmo reconhecendo que os embates, os desafios que o cotidiano coloca ao profissional frequentemente o obrigam a respostas imediatas, há que se considerar que essas respostas, mesmo as mais imediatas e cotidianas, contêm em si uma
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Q598601
Particularmente a partir dos anos 1990, as várias manifestações da questão social, sob a órbita do capital, são acompanhadas pela privatização da política social pública, cuja implementação passa a ser delegada a organismos privados da sociedade civil. Ao mesmo tempo, o pensamento neoliberal opera uma profunda despolitização da questão social ao desqualificá-la como questão pública, política e nacional, estimulando ações voltadas para a
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Q598600
A retração do Estado quanto ao enfrentamento da questão social, mediante a transferência de suas responsabilidades para o terceiro setor, interfere na orientação e na funcionalidade das políticas sociais e, por consequência, na profissão que sofre alterações na sua demanda, no seu campo de atuação, na sua modalidade de intervenção e no seu vínculo empregatício. Nesse processo, um aspecto que se destaca refere-se ao espaço profissional- -ocupacional dos assistentes sociais, que passa a ceder lugar às chamadas organizações sociais, imbuídas dos princípios de ajuda e solidariedade e que pode levar
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Q598599
No período da ditadura militar no Brasil, a sociedade, mesmo sem estar organizada e sem expressão política plena, combateu o Estado autoritário. No entanto, grupos como a classe operária, os trabalhadores rurais, os jovens da classe média, grupos femininos e feministas, de vizinhança e moradores, etc. ocuparam um lugar subalterno em face do Estado, dados os limites institucionais impostos em relação às suas reivindicações. Em diferentes momentos, os interesses desses grupos, desigualmente atingidos por diversas intervenções do governo ditatorial manifestaram-se
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Q598598
Questões relacionadas às políticas estatais de corte social vêm se constituindo em tema cada vez mais presente nas análises e nos estudos de profissionais envolvidos no campo das políticas sociais públicas no país. Uma primeira análise sobre a questão mostra que as políticas sociais no Brasil nascem e se desenvolvem na perspectiva de enfrentamento da questão social. Esse tratamento que o Estado vem dispensando aos segmentos mais pauperizados insere-se no contexto contraditório das mudanças econômicas, sociais e políticas que caracterizam o desenvolvimento capitalista no Brasil, correspondendo a
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Q598597
O assistencialismo é uma das atividades sociais que as classes dominantes, historicamente, implementaram para reduzir a miséria que geravam e para perpetuar o sistema de exploração do trabalhador. Essa atividade, em diferentes momentos históricos, adquiriu contornos diversos devido a diferentes influências, constituindo-se uma parte da lógica capitalista. O assistencial torna-se a única face possível do capitalismo a justificar as desigualdades sociais. No entanto, o que determina se a prática assistencial é assistencialista ou não é a