SEGREDOSEu tenho uns amores – quem é que os não tinhaNos tempos antigos? – Amar não faz mal;As almas que sentem paixão como a minhaQue digam, que falem em regra geral.
– A flor dos meus sonhos é moça bonitaQual flor entr’aberta do dia ao raiar,Mas onde ela mora, que casa ela habita,Não quero, não posso, não devo contar.
Seu rosto é formoso, seu talhe elegante,Seus lábios de rosa, a fala é de mel,As tranças compridas, qual livre bacante,O pé de criança, cintura de anel;
– Os olhos rasgados são cor das safiras,Serenos e puros, azuis como o mar;Se falam sinceros, se pregam mentiras,Não quero, não posso, não devo contar. (Casimiro de Abreu. “Segredos”. Adaptado. In: Poetas Românticos Brasileiros.1963, p.32.)
I. No verso “A f...
