“Esta comparação pode começar pelo sentido do trânsito na Inglaterra, que segue a mão esquerda; pelos hábitos culinários franceses, onde rãs e escargots (capazes de causar repulsa a muitos povos) são considerados como iguarias, até outros usos e costumes que chamam mais a atenção para as diferenças (...)”. LARAIA, Roque de Barros. Cultura: um conceito antropológico. Rio de Janeiro: Editora Zahar [Companhia das Letras], 1986, p. 14.
Neste fragmento Laraia busca exemplificar que as diferenças de comportamento entre indivíduos devem ser explicadas através das diversidades
Weber e Durkheim são considerados fundadores da Sociologia, e apresentam perspectivas diferentes sobre qual deve ser método de análise. A partir da comparação entre os conceitos de fato social e tipo-ideal, é possível apontar que uma diferença metodológica entre os dois seria que
No quadro abaixo, chamado “A Redenção de Cam” e pintado em 1895, o pintor espanhol radicado no Brasil, Modesto Brocos, retrata uma família brasileira em que a avó possui a pele escura, sua filha possui um tom de pele mais claro e seu neto é branco, filho de um homem também branco. Na tela todos parecem estar felizes, e a avó traz suas mãos elevadas ao céu.
A imagem serviu de capa para um artigo apresentado por João Batista de Lacerda (1846- 1915) no Congresso Universal das Raças, realizado em Londres em 1911, e é considerado uma defesa do branqueamento da população negra brasileira, o que teria por consequência a
O termo “revolução passiva”, cunhado por Antônio Gramsci, descreve processos políticos onde o grupo social que ascende ao poder o faz sem rompimento ou revoluções, mas através de adaptações e mudanças graduais. Alvaro Bianchi defende em artigo de 2017 a caracterização dos dois primeiros governos de Luís Inácio Lula da Silva como uma “revolução passiva”, porque
Preocupado com o poder, Max Weber conceitua Estado como a única instituição social autorizada a exercer de forma legítima a violência. Para essa formulação aciona as categorias de legitimidade e obediência. Assim, para o autor, o Estado encontra legitimidade em suas ações quando seus cidadãos
No capítulo 24 do Livro 1 de O Capital, Karl Marx descreve o que nomeou como “A Assim Chamada Acumulação Primitiva”. Segundo o autor, tal processo foi composto por uma diversidade de fenômenos históricos, como a escravidão e o tráfico de escravizados, a exploração das colônias ultramarinas através de saques, os monopólios mercantis, a desapropriação de terras da Igreja Católica e o cercamento de terras. Este último, especificamente, separou o produtor direto dos seus meios de produção. Ao descrever esse último processo, Marx descreve as condições de surgimento
Lélia Gonzales diferencia o racismo experimentado nos Estados Unidos da América, de colonização anglo-saxã, do experimentado na América Latina, de colonização ibérica. Para ela o primeiro seria um racismo por segregação, enquanto segundo se daria por denegação. Como consequência, enquanto lá a identidade negra foi reforçada, por aqui o mito da democracia racial imperou durante séculos, podendo ainda ser visto em diversas situações contemporâneas. Esta diferença ocorre, nos termos da autora, porque
“A marca da Europa moderna foi, sem dúvida, a instabilidade expressa na forma de crises nos diversos âmbitos da vida material, cultural e moral. Foi no cerne dessas dramáticas turbulências que nasceu a Sociologia enquanto um modo de interpretação chamado a explicar o “caos” até certo ponto assustador em que a sociedade parecia haver-se tornado”. (QUINTANEIRO, Tânia; BARBOSA, Maria Ligia de Oliveira; OLIVEIRA, Márcia Gardênia Monteiro de. Um toque de clássicos. Belo Horizonte, Ed. UFMG, 2002, p. 9). Sobre as crises mencionadas acima, as autoras fazem referência à(ao)