Técnicas de Memorização para Estudantes

Muitos alunos, apesar do seu esforço, não conseguem obter o sucesso escolar que estaria ao seu alcance, pois trabalham com métodos inadequados. Saberão todos os alunos estudar? A Escola ensina os alunos a estudar fornecendo-lhes informação sobre métodos e técnicas de estudo?

Atitude face às aulas

O insucesso escolar é fortemente afectado pela forma como o aluno permanece na aula, isto é, a sua atitude em termos de expectativa e a maneira como reage aos acontecimentos. Devemos ter em atenção os seguintes aspectos essenciais:

Atitude positiva

Acreditar que o estudo dos assuntos das diversas disciplinas contribui para o desenvolvimento das nossas capacidades em geral. Ter autoconfiança, pois um desempenho médio está ao alcance de qualquer aluno.

Espírito de trabalho

A quebra de atenção devido a sucessivos acontecimentos perturbadores diminui bastante a eficácia do nosso trabalho. Evitar brincadeiras, conversas ou a concentração em assuntos diferentes dos que estão a ser estudados.

Espírito crítico

Não basta olhar para ver, não basta ouvir para escutar. A compreensão dos assuntos implica uma permanente atitude crítica sobre aquilo que se ouve ou vê. Esta atitude crítica exerce-se relacionando aquilo que está a ser estudado com aquilo que já conhecemos e com as opiniões que temos sobre o assunto.

Usamos este espírito crítico para descobrir aquilo que é (ou parece ser) o essencial dos assuntos estudados, as ideias principais, o “sumo da questão”. Uma boa forma de espevitar o espírito crítico é, de vez em quando, estudar um assunto antes de ele ser abordado pelo professor na aula.

Tirar bons apontamentos

É fundamental tirar apontamentos a partir das explicações do professor. Provérbio chinês: a tinta mais pálida é melhor que a memória mais fiel. O interesse dos apontamentos reside na possibilidade de revermos e reconstruirmos mais tarde o estudo que foi feito na aula.

Porém, tirar bons apontamentos não significa registar sistematicamente tudo o que é dito ou mostrado pelo professor. Pelo contrário, um primeiro passo para o sucesso é registar apenas aquilo que o nosso espírito crítico classifica como essencial para ser revisto mais tarde.

Os apontamentos não devem resumir-se a texto. Por vezes um esquema imaginado no momento por nós é mais expressivo que trinta palavras.

Estratégias para memorização

Após a elaboração de resumos ou esquemas torna-se útil a memorização de alguns conteúdos.

Dadas as limitações mnésicas (de memória), estas estratégias devem ser utilizadas nos dias que antecedem os exames, daí a importância de fazeres o estudo prévio ao longo dos dias e deixares para os últimos dias apenas a revisão da matéria. Nesse sentido, tem em conta as seguintes sugestões:

Compreender antes de memorizar.

Isto é elementar e fundamental. Tal significa que se deve perguntar, compreender, etc. antes de tentar memorizar.

Descansar alguns minutos antes de começar a memorizar.

Ajuda a recuperar forças que atuarão positivamente quando se inicia um novo ciclo de estudo.

Empregar o maior número de entradas sensoriais para memorizar.

A retenção da informação será tanto mais forte e duradoura quanto mais numerosas e vivas forem as vias de entrada de informação (principalmente os ouvidos, a visão e o tacto). Portanto, a leitura oral e mental, sublinhar e desenhar ajudam a que as impressões se tornem mais duradouras.

Um método de memorização, empregue com excelentes resultados, abarca os seguintes passos:

Leitura rápida da lição ou questão que se quer aprender, com o objectivo de obter uma ideia global da matéria.

Leitura mais lenta. Voltar a ler e deter-se sobre aqueles aspectos que parecem ser mais importantes, o que não seria possível se não se tivesse realizado o primeiro passo.

Sublinhar os pontos importantes.

Fazer um esquema escrito da lição ou questão, seguindo aquilo que já foi sublinhado. Visa a compreensão do esquema e a reflexão sobre ele.

Elaborar um resumo, completando o esquema anterior.

Repetição oral e escrita do esquema e/ou do resumo até o aprenderes.

Assume o papel de professor: expõe o tema como se estivesses a dar uma aula, ou ensina a matéria a alguém que conheças.

Realiza pequenas notas esclarecedoras para garantir que estás a assimilar a matéria.

Insiste repetidamente nos passos anteriores, mas respeitando os limites fixados na planificação.

Ajusta os processos de memorização ao tipo de material e ao nível de dificuldade.

Divide em unidades mais pequenas matérias densas ou complicadas.

Utiliza a imaginação, faz desenhos, representa, etc.

Potencia o processo de memorização crítica e reflexiva, selecciona os conteúdos evitando a interiorização arbitrária das ideias propostas.

Técnicas de memorização

Repetição

A forma mais simples de decorar uma determinada informação é exactamente repeti-la um determinado número de vezes até que esteja totalmente apreendida.

Esta técnica é muito utilizada, mas pode ser demasiado fatigante ou mesmo pouco útil, uma vez que implica um esforço mental que resulta muitas vezes no posterior esquecimento de tudo o que foi decorado.

Imagens mentais

Esta técnica baseia-se na ideia da memória fotográfica. Para as pessoas que tenham facilidades em decorar imagens, aconselha-se o recurso a informação estruturada, que provoque uma impressão forte na memória e obrigue a uma recordação exacta. A grande desvantagem deste método é que não pode ser aplicado a todas as matérias.

Técnica dos espaços

Nesta técnica pretende-se utilizar a familiaridade da pessoa com determinado espaço para recordar determinada informação. Assim, por exemplo, pode-se associar a cada rua de uma pequena cidade uma ideia e o indivíduo, enquanto imagina passear-se por esses espaços recorda-se das informações que associou a cada um deles.

Esta técnica tem a desvantagem de implicar um bom conhecimento dos espaços, o que não acontece com todos nós, mas também, que a matéria a estudar se associe com ele.

Palavra-Chave

A ideia desta técnica é associar um tópico a cada palavra-chave, de modo que ao lembrarmo-nos desse termo nos recordamos de todo um raciocínio ou de toda uma matéria.

Embora este método tenha nítidos benefícios do ponto de vista da compreensão da matéria, também é pouco fiável, pois a escolha de uma palavra-chave é muito importante, e também aqui o esquecimento de uma dessas palavras pode ser fundamental para a perda de todo o raciocínio.

Elaboração progressiva

Por vezes pode ser útil encadear as informações de tal maneira que elas sigam uma ordem lógica que nos permita recordar as informações que elas encerram.

Esta técnica mostra-se bastante útil para descrever processos, mas para enumerar listas de características ou outras informações que pretendemos decorar, não é muito útil, devido à dificuldade de encadear os diferentes dados.

Técnica dos números

Algumas pessoas têm uma maior facilidade em recordar números do que palavras, por exemplo, números de telefone. Para essas pessoas, a codificação de um conjunto de informações em números pode ser a forma mais fácil de adquirir todos esses dados.

No entanto, esta técnica encerra também outros problemas como o excesso de codificação que pode transformar as mensagens num conjunto de informações sem sentido e de memorização ainda mais difícil.

Técnica das iniciais

Muitas pessoas têm também maior facilidade de decorar um processo ou dados como os elementos da tabela periódica, se estes formarem, com as suas iniciais palavras fáceis de memorizar e com sentido.No entanto, também este método tem problemas, pois a partir das iniciais apenas, muitas vezes é difícil lembrar quais as palavras que pretendem representar.

Rimas e jogos

O ensino de crianças passa muitas vezes por rimas e jogos, que se tornam fáceis instrumentos de memorização. Por exemplo, certas rimas para decorar o nome dos meses e do número de dias que os compõem ou mesmo o ritmo que se imprime à tabuada para que quase se assemelhe a uma cantiga são formas de memorização mais fáceis de implementar.

Este tipo de métodos muitas vezes recorre a palavras que soam a outras e que têm um sentido caricato na frase, o que faz com que a memória os fixe mais facilmente pois apela à sua componente afectiva.

Para matérias mais complexas, é, no entanto, difícil de aplicar e geralmente baseia-se em jogos tradicionais, que não incluem muitas das novas matérias a estudar.

Factores que influenciam a memorização

Ligações afectivas:

naturalmente, é fácil lembrarmo-nos daquilo que gostamos, do aniversário dos nossos familiares ou amigos, das matérias ou dos assuntos que nos agradaram quando os estudámos.

Desta forma podemos pensar que não vale a pena estar a tentar forçar a memorização de algo que nos desagrada profundamente porque mesmo que se consiga com um grande esforço decorar durante algum tempo, o esquecimento é extremamente rápido.

É mais útil encontrar algo de que gostamos realmente, pois essas são as matérias que manteremos mais facilmente e durante mais tempo na nossa memória. Uma outra alternativa consiste em procurarmos gostar do que temos de aprender, associando os conteúdos menos agradáveis a momentos e situações agradáveis (estudar na praia, estudar à lareira, estudar numa biblioteca bonita e cheia de luz).

Utilidade

Quando pensamos que um conjunto de informações não tem utilidade nenhuma, a motivação para o memorizar é bastante baixa. Desta forma, é necessário que os dados tenham uma aplicação prática visível para que se consiga novamente reter as informações por um período mais ou menos longo.

Deste modo, é necessário apelar bastante ao raciocínio e ao sentido prático para encontrar alguma forma de aplicação dos conhecimentos, pois isso por si só já nos dá algumas ideias de como conseguir memorizá-los.

Podemos sempre falar com colegas ou professores para que estes nos ajudem a perceber a utilidade dos conteúdos, quanto mais não seja como pré-requisitos para a aprendizagem de outros conteúdos, esses sim verdadeiramente interessantes.

Compreensão

Assim como se devem encontrar afinidades e aplicações práticas para os conhecimentos, também a sua correcta compreensão permite uma mais fácil memorização. Assim, é sempre útil tentar enquadrar os dados numa sequência lógica e não tentar memorizá-los imediatamente sem se estabelecer previamente relações de causalidade.

Esquematização e Visualização

A memória funciona muitas vezes como uma impressão que se tem de algo estudado anteriormente. Assim, como numa fotografia, é mais fácil lembrarmo-nos da localização de um determinado tópico na página em que o inserimos do que das explicações que se inseriam dentro desse tópico.

Quando lemos um jornal, aquilo que fixamos mais facilmente são as fotografias e os títulos que nos chamam mais a atenção.

Por esse motivo, quando se elaboram apontamentos se deve ter o cuidado de fazer uma apresentação muito apelativa e organizada, e se possível gráfica, para que seja mais fácil a memorização dos conceitos.

Necessidade e urgência

 Quando um exame se aproxima, é mais urgente memorizar a matéria que nele se insere, mas, simultaneamente, o aumento da pressão faz com que esse estudo tenha menor eficácia e dure menos. Por isso, uma memorização e compreensão com uma certa antecedência é mais benéfica para aplicações futuras dos conceitos estudados.

Vantagens e Desvantagens das Técnicas de memorização

Vantagens:

Permite abarcar um vasto leque de conhecimentos;

Permite a aquisição de mecanismos mentais que facilitam o desenvolvimento intelectual;

Cada pessoa segue o seu ritmo de aprendizagem, uma vez que existem muitos métodos que se coadunam com cada pessoa e o seu ritmo específico;

É uma das formas mais eficientes de lembrar dados que se pretende ou necessita de utilizar frequentemente.

Desvantagens:

Exige um grande nível de treino e esforço, pois a facilidade de memorização é algo que se obtém ao fim de algum tempo, não é imediata;

Requer geralmente bastante tempo até se conseguir decorar todos os dados de que se necessita;

Muitas vezes os conhecimentos não ficam durante muito tempo na mente de quem os decora, a menos que se compreenda os conteúdos que se memorizou;

É uma técnica de aprendizagem muito intensa, que causa bastante cansaço.

A memorização de conteúdos, em qualquer que seja a tua estratégia, vai permitir minimizar as tuas limitações mnésicas (de memória), o que faz com que consigas saber a matéria pretendida e faz com que vás mais confiante para os exames.

Outras Dicas de Estudo

“Mente sã em corpo são”

O nosso cérebro habita no nosso corpo e o nosso nível físico geral afecta a actividade do cérebro. Fazer exercício ajuda a oxigenar o cérebro, melhora o sono e ajuda a manter um nível de energia elevado.

No mínimo, recomenda-se meia hora, duas vezes por semana, de exercício. É melhor fazer algum exercício suave todos os dias, como seja andar a pé, do que fazer algo extenuante durante quatro ou cinco horas no fim-de-semana, por exemplo.

Existem outros problemas de saúde que podem afectar a capacidade de estudo. Desde problemas com dentes a problemas de visão, existem diversas situações que afectam a capacidade de estudo.

Habitualmente, as pessoas mais pesadas têm menor tendência a fazer exercício.

O Sono

É importante dormir de forma regular e um número de horas suficiente. Um estudo sobre violinistas aponta que os melhores violinistas dormem, em média, mais horas por noite que os violinistas menos bons, chegando a dormir, em média, quase nove horas por noite.

É normal que, em períodos de estudo intenso, seja necessário dormir mais horas e não menos. Existem diversos estudos sobre o efeito dos maus hábitos de sono e das torturas do sono e todos eles apontam para efeitos devastadores da falta de sono.

Para se habituar a dormir melhor, recomendo algumas práticas:

⇒Estabeleça uma hora para se deitar.
⇒Tenha um ambiente calmo, sossegado e uma temperatura agradável no local onde dorme.
⇒Evite fazer actividades que estimulem muito o cérebro antes de ir dormir.
⇒Escreva num papel os pensamentos que tenha na sua cabeça.

O sono, além do efeito reparador, é importante na retenção da informação e no “armazenamento” da mesma.

Existem expressões populares, tais como “dormir sobre o assunto” ou “o travesseiro é bom conselheiro”, mas, na verdade, em testes efectuados com grupos que têm e não têm a oportunidade de dormir a meio da resolução e estudo de um problema, aqueles que o fazem revelam um melhor desempenho.

Durante o sono, existem áreas do cérebro que voltam a ser activadas e é feita, de alguma forma, uma maior integração do que se aprendeu com aquilo que já se sabia.

Há quem aponte, inclusive, vantagens à sesta, sendo que esta pode tornar a pessoa mais disponível ao estudo/trabalho e fazer com que fique com a “cabeça fresca” para continuar a estudar.

 A alimentação – parte 1

Ter uma alimentação regular, equilibrada e constante apresenta vantagens diversas. É preferível tomar várias refeições leves do que tomar uma ou duas refeições muito pesadas. Deve começar-se o dia com um bom pequeno-almoço. Se comer a mesma quantidade de comida ao longo do dia quem comer mais ao pequeno-almoço engordará menos.

Para se manter o nível de energia no nosso corpo, deve ir-se repondo água e comida ao longo do dia. Se estivermos demasiado tempo sem comer, o nosso nível de energia baixará muito e poderemos ficar irritáveis, para além de que teremos tendência a comer mais. Por outro lado, se comermos demasiado, ficamos “empanturrados” e dificilmente ter-se-á vontade de estudar nessa situação.

A comida possui a energia necessária ao corpo e que se vai libertando neste gradualmente. Alimentos com açúcar ou muita gordura têm tendência a serem rapidamente absorvidos, desencadeando fortes descargas de energia momentânea, mas que desaparecem rapidamente.

 A alimentação – parte 2

É preferível ter um regime alimentar baseado em alimentos que se decomponham lentamente, como a massa ou o arroz. Os hidratos de carbono constituem a base da energia consumida, pelo que deve incluir sempre pão, arroz, batatas ou massa na sua alimentação.

Os cereais, grãos e todo o tipo de legumes e frutas são a base da alimentação. Nos restaurantes, por vezes, a quantidade do bife é maior que a quantidade de batatas, o que, de um ponto de vista alimentar, é errado.

Habitualmente, a quantidade do acompanhamento deverá ser duas ou três vezes maior que a do peixe ou da carne, de forma a ter-se uma alimentação equilibrada. Na pirâmide dos alimentos, os doces e as gorduras são o alimento menos necessário e cujo uso deve ser restringido. O sal em excesso também faz mal. Uma peça de fruta é muito melhor que um bolo como comida a ser tomada entre refeições.

Se está a planear um dia de estudo, planeie também o que vai comer e a que horas. Se vai estar num local sem acesso a comida, leve comida consigo.

Os abusos

O abuso de álcool, drogas ou outras substâncias afectam consideravelmente a capacidade de estudo e concentração. Mesmo o uso continuado de medicamentos como ansiolíticos pode prejudicar a capacidade de estudo.

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