Curso de Sistema Mandalla de produção agrícola

Introdução – parte 1

A Mandala – palavra de origem indiana – é um desenho composto por figuras geométricas concêntricas. Do ponto, de vista religioso, é uma representação do ser humano e do universo e seu desenho pode ser empregado em outras funções. Assim, o processo mandala é composto de círculos desenhados concentricamente. A partir do círculo central têm-se nove círculos, que representam os planetas.

O Mandala ou Projeto Holístico de Produção e Sustentabilidade Ambiental Mandala. (baseado na filosofia indiana) é um sistema de irrigação comunitária baseado em canteiros ao redor de uma fonte de água.

O projeto teve origem no Sebrae da Paraíba e hoje é implementado por uma série de entidades no sertão nordestino. Foi desenvolvido pelo Dr. Willy Pessoa Rodrigues. Pode ser construído numa área bem pequena e com poucos recursos, conseguindo garantir comida e renda para o agricultor.

Numa horta, os canteiros são circulares e os aspersores são feitos com hastes de cotonetes. Nela não há uso de veneno, ou seja, agrotóxicos, e o adubo é obtido do esterco de patos, gansos – que vivem no primeiro círculo do cultivo – e peixes – que vivem em um tanque, bem no meio do cultivo.

No centro, representando o sol, fica um reservatório de água. Ao redor dele, nove círculos. Trilha-se um processo modular onde, com baixo custo, você começa a produzir o primeiro círculo.

Somente quando ele estiver produzindo, você passa para o terceiro, para o quarto e assim por diante até chegar ao último. No centro permanece a água e uma bomba pequena a bombeia para as seis linhas. Essas seis linhas fazem a distribuição dos ciclos.

A água pode vir de rios, açudes, poços, e até de carros-pipa. Além de irrigar os canteiros, o tanque pode servir para a criação de peixes e aves aquáticas. O sistema pode chegar a ocupar apenas 2 mil metros quadrados.

O primeiro círculo é destinado à criação animal. Pode ser estabelecido uma espécie de curral. O número de animais, depende da disponibilidade e recurso de cada um.

Introdução – parte 2

Quanto ao controle de pragas, galinhas podem ficar soltas no meio dos canteiros. Elas ciscam e se alimentam de insetos que atacam as plantas. Em resumo, no centro, situam-se o reservatório de água, no primeiro círculo, as criações, nos círculos restantes, horta, pomar, e cultivo de grãos.

Além de sistemas de produção, pode-se desenvolver também uma série de equipamentos alternativos, que têm custo pequeno, mas facilitam muito a vida do agricultor.

A bomba d’água pode ser feita a partir de uma bicicleta. Pedalando, o agricultor movimenta aros e roldanas, que levam a água até o sistema de irrigação. A bicicleta funciona em qualquer lugar, dispensando energia elétrica, óleo diesel, ou gasolina.

Ela chega a irrigar uma área de 500 a mil metros quadrados. O aspensor de cotonete também sai barato. Ele leva uma haste e um pedaço de arame.

Basta esquentar a ponta do cotonete, apertar com alicate e preencher com arame. Ele serve de guia na hora de cortar a lateral do cotonete. Depois deve-se entortar a ponta, retirar o arame, e instalar o aspensor na mangueira de irrigação.

O sistema distribui água uniformemente para plantações diferentes A irrigação é em forma de círculos concêntricos e com várias culturas integradas, possuindo um custo inferior à irrigação tradicional. É voltada para os pequenos proprietários ou associações rurais.

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Princípios para trabalhar com o sistema Mandala

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Plantar o máximo que puder, utilizando o menor espaço;
Usar o mínimo de energia, para a máxima produção;
Promover o envolvimento de toda a comunidade;
Nada se perde, tudo se aproveita;
Trabalhar com a natureza e não contra ela.

O objetivo do Projeto Mandala é atender às necessidades locais desenvolvendo um modelo de agricultura familiar baseado no empreendedorismo e na cultura da cooperação.

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Mecânica do sistema

Sobre o reservatório de água, ergue-se uma estrutura similar à de uma pirâmide, com seis hastes que vão apoiar as linhas de mangueiras plásticas utilizadas para a irrigação do sistema.

Uma das hastes sustenta uma lâmpada, que atrai insetos à noite, servindo para afastá-los das plantas, fazê-los cair na água e alimentar os peixes e patos. Ao longo das linhas mestras que partem das estrutura em forma de “pirâmide”, estão distribuídos gotejadores feitos com garrafas pet.

O restante da área é irrigado por círculos de mangueiras que controlam microaspersores, que podem ser feitos com os tubos plásticos de cotonetes de ouvido.

A água vem do reservatório, de onde é puxada por uma bomba. De acordo com o criador do sistema, o gasto de água é 20% menor do que o de um sistema convencional de irrigação.

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Esquema de Distribuição do Sistema Mandala

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Sistema de Irrigação partindo do Reservatório no Centro do Sistema;
Círculo de Equilíbrio Ambiental (Proteção do Sistema);
Círculos da Produtividade Econômica (Excedente para Comercialização);
Tanque d‘Água (Centro do Sistema);
Círculo de Melhoria da Qualidade de Vida Ambiental (Subsistência da Família).

Passo a Passo para montar o sistema agrícola Mandala

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O sistema tem até nove círculos concêntricos de dois metros de largura. No reservatório de água, o agricultor pode criar peixes e patos, cujas fezes fertilizam os canteiros.

Os três primeiros círculos servem ao plantio de hortaliças. Os próximos cinco, para culturas diversas. E o último canteiro serve à proteção ambiental, podendo receber plantas nativas, medicinais ou frutíferas.

 

Com custo de 1.250 reais a mandalla deve ser implantada em área de 2,5 mil metros quadrados, podendo ser feita em dois dias. Não é necessário construir todos círculos de uma vez.

Trabalhe o primeiro até estar todo cultivado e aí prossiga ao segundo até chegar ao último. As quantidades de materiais para a construção variam segundo o diâmetro das esferas. A primeira tem 31,4 metros de mangueira e a última, 131 metros.

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Montagem

1º passo

Para construir o reservatório, crave no centro do terreno uma estaca de 50 centímetros e amarre a ela uma corda de três metros.

Na outra ponta, coloque um pedaço de madeira e trace um círculo. Escave essa área demarcada como se fosse um funil. O centro deve ter 1,85 metro de profundidade e uma “cuia” onde será colocada a bomba submersa.

2º passo

Na borda do reservatório, faça calçada de 50 centímetros de largura por um metro de altura, colocando uma fileira de tijolos para dar suporte ao vértice de sustentação da bomba.

3º passo

Coloque a tela de galinheiro nas paredes do reservatório, preocupando-se em trançar cada peça. Para prendê-la, use arame farpado.

Prepare argamassa com um saco de cimento e seis de areia, rebocando todo o buraco, a borda e a calçada. Após secar o cimento, impermeabilize tudo com cola branca. Espere secar e encha o depósito com água.

4º passo

Faça em cada caibro um furo a cinco centímetros de uma das pontas. Pegue o ferro de cinco milímetros e passe-o pelos buracos, unindo as peças de madeira. A estrutura ficará em formato de pirâmide e deve ser apoiada na borda do reservatório. Coloque no topo o sistema aranha.

Em baixo, a um palmo da água, coloque uma isca luminosa. Ela atrairá insetos que servirão de alimento para os animais criados no reservatório.

5º passo

Coloque a bomba submersa no fundo do reservatório. Ela deve ser conectada ao sistema aranha com o pedaço de 1,8 metro de mangueira 3/4 e o adaptador de 3/4 de polegada.

Para a instalação elétrica, siga atentamente as instruções do fabricante. Nas seis pernas da aranha fixe as mangueiras de 32 milí metros, que serão linhas mestras por onde a água passará até chegar aos canteiros.

6º passo

Em cada canteiro insira uma junção em Y nas linhas mestras. Ponha válvulas em uma ponta da peça. Nas outras duas coloque as mangueiras dos círculos, que devem ser presas com arame nos piquetes de madeira.

7º passo

A distribuição da água nos canteiros é feita por microaspersores. Para fazê-los, pegue os cotonetes, coloque-os de molho na água e tire o algodão das hastes. Aqueça uma das pontas e aperte com o alicate. Pelo outro lado, insira um pedaço de arame. Faça pequeno corte transversal na haste até tocar o arame, retirando-o em seguida.

Fure a mangueira e instale o microaspersor. Não coloque mais de 28 cotonetes por canteiro para não sobrecarregar o sistema.

8º passo

A água também pode chegar às plantas por gotejadores. Faça um furo no meio de uma tampa de garrafa PET para passar um cotonete com pedaço de cinco centímetros de arame. Faça uma curva na ponta do fio que ficará do lado de fora da garrafa. Feche a tampa. Monte tripé com gravetos para dar suporte ao vasilhame. Corte o fundo da garrafa.

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Recomendações sobre o Sistema Mandala

Livro:
Faça o download AQUI – O sistema mandala como alternativa para uma melhor convivência com o semiárido, implantado no assentamento São João no município de Sobral-CE.

Vídeos:
Clique AQUI – Técnica da Mandala ajuda na produção agrícola
Clique AQUI – Programa Rota Urbana-Projeto Mandala
Clique AQUI – Projeto Mandala Sertão
Clique AQUI – Mandalla – O Círculo Mágico da Vida

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