Curso de Jogos na Educação para a Cidadania

Assumir o ser humano em todas as suas dimensões é a única maneira de tentarmos responder lucidamente à complexidade do presente, recusando as simplificações redutoras e as facilidades enganadoras com que, frequentemente, somos bombardeados no nosso dia-a-dia.

Estando com atenção ao que nos rodeia, percebemos que o nosso tempo apresenta problemas radicalmente novos e desafios nunca antes experimentados, verificando nós a existência de mudanças aceleradas que, inexoravelmente, têm reflexos em todas as áreas da vida e da actividade humana.

Falamos da realidade “jogo”, uma fonte de prazer que marca a formação das crianças e dos jovens, assumindo-se como veículo de transmissão cultural e fonte de vivências simbólicas, pelas ideologias e valores que transmite e a realidade “a cidadania”, construção fundada em valores e atitudes consentâneas com as preocupações do EU e dos OUTROS.

O jogo faz sentido “aprender a viver juntos e a viver com os outros” , porque também com os jogos se podem criar condições para a emergência de processos que estimulem o desenvolvimento de um espírito crítico face a ideologias que servem de matriz a alguns dos jogos, nomeadamente àqueles que criam situações onde, para se vencer, têm de ser desenvolvidas estratégias de competição que permitam excluir os outros parceiros.

Educação para a cidadania

A cidadania é uma preocupação antiga, tão antiga como os conceitos de relação entre o domínio público e o domínio privado importados da antiguidade greco-romana. Na sua origem, a cidadania constituía-se como a essência da vida em sociedade, como o conjunto das acções que convêm a um cidadão.

Mais recentemente, porem, alguns sinais de crise patentes no funcionamento das sociedades ocidentais, têm-nos feito concluir que é necessário ultrapassar o mero plano individual do exercício daquilo a que cada um convém para ser reconhecido como cidadão.

A educação para a cidadania não é uma coisa moderna, nem uma coisa ultrapassada, não é um luxo pedagógico, nem um projecto com hora e data marcada.

A educação para a cidadania deve ser, antes de mais, uma condição de sucesso do trabalho de todos quantos nela se empenham em contextos de educação formal e informal, em que todos podemos ser actores educativos, promovendo uma educação para a cidadania que promova a abertura ao outro social.

Tornando-se cada vez mais inevitável o reconhecimento da diversidade cultural presente nas nossas sociedades, torna-se também cada vez mais necessário desenvolver estratégias que promovam uma aceitação activa do “outro”, através da interacção e cooperação em torno de objectivos comuns, que conduzam a um enriquecimento mútuo.

Considera-se fundamental que estas atitudes de “solidariedade activa” sejam adquiridas precocemente, pois mais facilmente se evitará a assimilação de estereótipos e de atitudes que, frequentemente, surgem associados a fenómenos como o racismo e a xenofobia.

É consensual, na literatura da especialidade, que estas questões devem estar presentes em todos os momentos da vida de um ser humano, assumindo particular pertinência ao longo do seu percurso de educação formal, tendo em conta que este envolve, de uma forma sistémica, influências e interdependências culturais e ambientais que requerem a participação activa de cada um na defesa dos direitos humanos e do meio ambiente.

Assim, educar na cidadania, passa pelo desenvolvimento de acções coerentes, orientadas por princípios de vivência democrática, com o recurso a metodologias activas em detrimento das tradicionais, promovendo-se o desenvolvimento das crianças (e jovens) no que se refere a atitudes de alteridade, de cooperação, de conhecimento e valorização de cultura de cada um, na construção de um projecto de vida próprio.

Neste quadro de referências teóricas de princípios e valores é compreensível o recurso aos jogos, nomeadamente aos jogos tradicionais colectivos como meios adequados para a promoção de uma educação para a cidadania, visto que:

1) possibilitam que cada criança se sinta representada e valorizada;
2) promovem situações de trabalho em grupo, visando o desenvolvimento de competências de cooperação, em cada criança, que lhes permitam colocar-se no lugar do outro, respeitando diferentes perspectivas.

Os jogos numa educação para a cidadania

A importância do jogo para o desenvolvimento físico, intelectual, social e moral das crianças vem sendo enfatizada, há várias décadas, por correntes teóricas de vários domínios da ciência, com especial destaque para a psicologia e a pedagogia.

“ No processo de socialização para a respectiva cultura, as crianças aprendem coisas que constituem as características comuns da sua cultura, por exemplo mitos, contos de fadas, canções e história. As ferramentas integram uma parte extremamente importante de uma cultura, a criança precisa de ir conhecendo as ferramentas essenciais para a nossa cultura…” (Sutherland, 1996:78).

“ Todos conhecemos o grande papel que nos jogos da criança desempenha a imitação, com muita frequência estes jogos são apenas um eco do que as crianças viram e escutaram aos adultos, não obstante estes elementos da sua experiência anterior nunca se reproduzem no jogo de forma absolutamente igual e como acontecem na realidade. O jogo da criança não é recordação simples do vivido, mas sim a transformação criadora das impressões para a formação de uma nova realidade que responda às exigências e inclinações da própria criança” (Vygotsky, 1999:12).

As teorias psicanalíticas, sobretudo na esteira dos trabalhos de Freud e Erickson, sublinham a importância do jogo – sobretudo o jogo dramático – na expressão de ideias e sentimentos. Segundo Spodek (1998:4) esta perspectiva defende que as crianças « (…)

usam o jogo para representar situações perturbadoras, o que lhes proporciona formas de lidar com sentimentos negativos e resolver conflitos emocionais que poderiam não ser capazes de resolver na vida real». O jogo, visto neste sentido como uma espécie de “terapia”, veio a influenciar particularmente as metodologias utilizadas na educação pré-escolar.

Por seu lado, no campo do desenvolvimento cognitivo, as teorias construtivistas de Piaget, Brunner e Vygotsky, vêm reforçar a ideia da construção do conhecimento, pelos indivíduos, através da experiência, embora o façam interpretando este processo de construção de forma diferenciada.

De acordo com a perspectiva piagetiana, «o jogo tem uma função biológica, no sentido de que todos os órgãos, todas as capacidades têm necessidade de ser exercitadas para que não se atrofiem. (…) Para Piaget o jogo é a construção do conhecimento, pelo menos durante os períodos sensório-motor e pré-operatório» (Kami e Devries, s/d: 29). Deste ponto de vista, não existe oposição entre jogo e trabalho.

Já para Vygotsky, o jogo é um instrumento que propicia interacções de ordem cultural. Neste sentido, associando a importância dos aspectos naturais no desenvolvimento cognitivo, Vygotsky sublinha não apenas o processo de maturação, mas, sobretudo, os processos de interacção dos indivíduos no seu meio cultural.

«De acordo com esta teoria, o desenvolvimento acontece não apenas como resultado da maturação, mas também como resultado da aquisição de instrumentos culturais. Estes instrumentos culturais estabelecem ligações entre a criança e o seu meio ambiente, físico e cultural, e ajudam-na a adquirir um domínio sobre esse ambiente. Estes instrumentos culturais mudam as formas de pensar dos indivíduos» (Spodek:7).

A importância do contexto social em que a criança está inserida, e as especificidades da sua cultura, são acentuadas por esta perspectiva e, neste sentido, o jogo pode ser encarado como um destes instrumentos, que permitem articular o desenvolvimento físico e intelectual ao desenvolvimento sócio-cultural.

Pelas suas características lúdicas, e pelo papel que podem assumir no desenvolvimento, os jogos têm constituído um recurso para a formação das crianças, em geral, e para a educação pré-escolar em particular.

No contexto escolar, o recurso ao jogo constitui uma prática relativamente consensual, embora assuma perspectivas não coincidentes, seja pelas suas vantagens focalizadas no treino ou na estimulação ou na facilitação das aprendizagens, seja na socialização ou no mero prazer.

Se recorrermos a Jean Chateau, poderemos pensar nos tipos de jogos que são usados pelos indivíduos ao longo da vida. Na sua obra obre o jogo, e na linha de algumas correntes da psicologia, Jean Chateau (1975:16) distingue os «jogos funcionais» – ligados ao treino de determinada função (evidenciados sobretudo nos primeiros anos e a que ele atribui uma certa fixidez) – dos jogos de imitação e dos jogos de regras.

Os jogos de imitação, na linha das correntes psicanalíticas, permitiram a evasão, a compensação, a antecipação do mundo «a sério», a resolução de conflitos, a identificação com os papéis e com as personalidades adultas e, por consequência, a afirmação do Eu.

Segundo Chateau (1975:57) «a actividade do jogo é, sob certos aspectos, uma actividade de significação moral. Seguir um modelo, seguir depois uma regra social, afirmar a própria personalidade (…). A autonomia torna-se apesar de tudo em heteronomia» num processo de formação em que as normas e os valores vão definindo as atitudes.

Assim, a competição, submetida a regras, prepara a entrada no mundo dos «grandes». «As regras têm valor porque são parte integrante da sociedade. Naturalmente, a criança não se interroga acerca da origem e, se o faz, contenta-se em apelar para os “antigos”.» (ibidem:57)

A competição, nesta lógica, teria aspectos positivos porque prepararia a criança para a vida adulta e para a interiorização de uma determinada ordem social.

Enfatizar as vantagens dos jogos cooperativos pretende contrariar a predominância da competição, e criar oportunidades de participação, de comunicação e de cooperação.

Segundo Jares (1992:8) o objectivo dos jogos cooperativos «não é ver quem ganha ou quem perde, quem é capaz de conseguir ou quem não é, mas sim participar juntos procurando o prazer, a comunicação e o apreço de todos». Desta forma, jogar cooperativamente permitirá não só estabelecer interacções e descobrir o meio-ambiente mas, sobretudo, sensibilizar para as relações humanas e vivenciar situações de uma positiva convivência.

Por outro lado, interessa sublinhar que todos os instrumentos socialmente construídos – onde se inclui o jogo – não são neutros. «Os jogos transmitem e potenciam um determinado código de valores, através do qual se estrutura um determinado tipo de pessoa-jogador, determinadas relações entre os próprios jogadores, uma determinada forma de entender a própria diversão, etc.».

Nesta linha de ideias, a selecção de jogos, numa educação para a cidadania, deve ser coerente com o posicionamento e com as atitudes que se assumem face à educação e deve enquadrar-se num «projecto educativo mais amplo em que a cooperação e a resolução não-violenta de conflitos se convertam tanto em fins como em meios» (Jares, 1992:9). Meios coerentes com os fins.

Jogar de uma forma cooperante requer uma aprendizagem. Não é de um momento para o outro que se consegue estabelecer cooperação entre as crianças (ou adultos) que habitualmente se envolvem em práticas competitivas.

Da mesma forma, o contexto em que o jogo se desenrola, e as pessoas em questão, tornam variável esses tempos de aprendizagem.

Apesar do desenvolvimento desta cooperação não ser a tarefa mais rápida e mais fácil, é considerado que as práticas educativas que se estruturam em torno de estratégias deste tipo contribuem para a construção de um novo olhar sobre o mundo e contribuem para a mudança da violência contida nas relações e nas estruturas sociais vigentes, permitindo melhorar a aprendizagem de conhecimentos e desenvolver a personalidade.

Todos os jogos a serem fomentados numa educação para a cidadania devem conter as seguintes características:
…no sentido da cooperação:
Promove a implicação na resolução de tarefas com vista a um fim comum;
Desenvolve competências de trabalho em grupo;
Promove a comunicação num espírito de conhecimento do «outro», de inter-ajuda e de mutuo apoio;
Promove o reconhecimento, a confiança e valorização do «outro»;
Estimula o conhecimento de si próprio, na relação com os outros;
Promove o reconhecimento, a confiança e valorização de si próprio na relação com os outros;
Visa a participação de todos (ninguém é excluído); gera relações de «igualdade na diversidade»;
Gera situações de lúdico-divertidas e de bem-estar;
Gera situações de relaxamento.

…no sentido da competição:
Promove a implicação na resolução de tarefas com vista a um fim comum;
Desenvolve competências de trabalho em grupo;
Promove a comunicação num espírito de conhecimento do «outro», de inter-ajuda e de mútuo apoio;
Promove o reconhecimento, a confiança e valorização do «outro»;
Estimula o conhecimento de si próprio, na relação com os outros;
Promove o reconhecimento, a confiança e valorização de si próprio na relação com os outros;
Visa a participação de todos (ninguém é excluído); gera relações de «igualdade na diversidade»;
Gera situações lúdico-divertidas e de bem-estar;
Gera situações de relaxamento.

Critérios de análise de alguns jogos possíveis para uma educação para a Cidadania

JOGO: Descobrir o outro

Material:
Uma venda.
Objectivos do jogo:
Identificação do colega através do tacto.
Desenvolver a concentração e fomentar atitudes de entre-ajuda.

 Como jogar:
Venda-se os olhos a uma criança. Em silêncio chama-se um colega que ela terá que identificar pelo tacto. Os colegas vão ajudando, dando pistas (tem cabelos loiros, gosta muito de chocolates, etc.) até ela adivinhar.

Análise
– Promove o conhecimento do outro.
– Promove o reconhecimento, a confiança e valorização do outro.
– Estimula o conhecimento de si próprio na relação com os outros.
– Promove a comunicação num espírito de inter-ajuda e de mútuo apoio.
– Visa a participação de todos (ninguém é excluído).
– Gera situações lúdico-divertidas e de bem-estar.

Comentário
É um jogo divertido e muito do agrado das crianças. É necessário ter o cuidado de permitir que todas as crianças joguem. É um jogo que implica conhecimento do outro não só ao nível físico como de comportamento. É um jogo essencialmente de cooperação em que as crianças ajudam o colega até ele descobrir o outro.

JOGO: A entrevista de grupo

Material:
Nenhum
 Objectivos do jogo:
Alicerçar a confiança;
Desenvolver as relações interpessoais, a sensibilidade, a comunicação, a participação, o mútuo conhecimento.

Como jogar:
Joga-se numa roda, indo uma criança para o meio.
Três crianças fazem-lhe as perguntas que quiserem (não devem fazer perguntas embaraçosas). Ela pode recusar-se a responder. Com a experiência, as entrevistas melhoram e variam. É importante que todos sejam entrevistados e façam perguntas.

Análise
Apela ao conhecimento recíproco e à comunicação;
– Estimula o conhecimento de si próprio;
– Promove o reconhecimento e a valorização do outro e de si próprio;
– Pode gerar situações embaraçosas se a criança se sentir «exposta»

Comentário
Ter em conta a experiência das crianças neste tipo de jogos, o seu mútuo conhecimento, a sua idade e o ambiente de trabalho para a adequação das estratégias.

JOGO: Dá-me lume

Material:
Nenhum
Objectivos do jogo:
Promover a socialização
Desenvolver a cooperação

 Como jogar:
Marca-se o chão com círculos (casas). Um jogador fica no meio. O que está no meio, dirige-se a uma «casa» e diz: «Dá-me lume?» e este responde…«Vá aquela casa que está a fumegar».
Feita a pergunta, os jogadores dos círculos correm de um lado para o outro, trocando de lugares, ou voltando para os seus quando os vêem em perigo. Quanto maiores e mais confusas forem as mudanças, mais alegre e animado será o jogo. Quando o jogador do centro conseguir um lugar vago, é substituído pelo jogador que estiver fora na ocasião.

Análise
É um jogo que exige uma certa cumplicidade entre os colegas e muita atenção, incluindo todas as crianças, embora haja sempre uma criança que perde.

Comentário
É um jogo ao qual normalmente as crianças aderem com muita facilidade pois cria situações divertidas entre si.

JOGO: Jogo do cão

Material:
Um «osso»
Objectivos do jogo:
Desenvolver a capacidade de atenção e de concentração;
Proporcionar momentos de calma e de silencio;
Fomentar a cooperação.

Como jogar:
Papéis: Dono do cão, Cão

Desenvolvimento:
As crianças participantes sentam-se na roda. O Dono, tapa os olhos ao cão e põe o osso ao lado. Aponta para um colega, para tirar o osso ao cão sem ele dar conta (em bicos de pés e silencio). Este/a senta-se e põem todos as mãos atrás das costas.

Se o cão ouvir barulho ladra e ele não pode levar o osso. O Dono do cão ponta para outro.

Análise
Promove a inter-ajuda e mútuo apoio; desenvolve competências de trabalho em grupo; estimula a partilha de competências; promove o reconhecimento, a confiança, a confiança e a valorização de si próprio, na relação com os outros; visa a participação de todos (ninguém é excluído); gera situações lúdico-divertidas e de bem-estar.

Comentário
É um jogo que acalma as crianças, que estimula a atenção e que é muito do agrado do grupo. Aceitam as regras e cumprem-nas com facilidade. É necessário ter em atenção o facto de todos deverem participar, desde que queiram.

JOGO: O lobo e os porquinhos

Material:
Nenhum
Objectivos do jogo:
Incentivar a cooperação

Como jogar:
– Desenham-se no chão as casas do lobo e dos porquinhos.
– Os porquinhos saem ou entram em sua casa conforme sinal de orientador.
– O lobo tenta apanhá-los enquanto os porquinhos estão fora da casa.
– Os porquinhos apanhados ficam presos em casa do lobo, mas podem ser salvos pelos colegas bastando para tal serem tocados.

Análise
É um jogo essencialmente de cooperação que promove a inter-ajuda (as crianças põem em risco a sua liberdade ao tentar salvar os outros).

Comentário
É um jogo divertido, de grande grupo, que apela à atenção, ao movimento e à coordenação psicomotora.

JOGO: Perna atada

Material:
Lenço ou corda
Objectivos do jogo:
Promover a coordenação motora
Promover a cooperação entre equipas
Desenvolver a competição saudável entre as equipas

Como jogar:
Os elementos das equipas concorrentes alinham à partida, com as pernas atadas, no tornozelo, e os braços sobre os ombros dos colegas.
As pernas são atadas com lenços de bolso.
Ganha o par que chegar à meta em primeiro lugar mantendo as pernas atadas.
NOTA: a perna esquerda é atada à perna direita do colega (e vice-versa).

Análise
É um jogo que apesar de estabelecer alguma competição entre os pares pode gerar atitudes de apoio e cooperação intra par.

Comentário
É importante que o professor/educador se mantenha atento para evitar situações de exclusão e promova uma reflexão sobre o vivido, no final do jogo.

JOGO: Quente/Frio

Material:
Um objecto
Objectivos do jogo:
Encontrar o objecto escondido

Como jogar:
Tira-se à sorte entre vários participantes quem vai em busca de um objecto previamente escondido numa sala.
Depois do sorteio, o jogador escolhido tenta encontrar o objecto. Antes porem estabelece-se um determinado tempo. Só o jogador é que desconhece onde se encontra o objecto.
O jogador começa à procura do objecto.
Os outros vão informando está quente ou frio conforme está muito próximo ou se afasta do objecto escondido.
Quando o objecto é encontrado recomeça a brincadeira.

Análise
Jogo de cooperação:
– Promove a implicação na resolução de uma tarefa em vista a um fim comum.
– Promove a comunicação e o espírito de entre-ajuda.
– Visa a participação de todos.
– Gera situações lúdico-divertidas.

JOGO: Cabra-Cega

Material:
Sala ampla – sem objectos que possam causar ferimentos

Como jogar:
Sortear a cabra-cega. Vendam-se-lhe os olhos e faz-se girar em torno de si mesma para ficar confundida em relação à posição dos colegas.
A cabra-cega movimenta-se na sala até apanhar um colega ( que tem de estar calado em estátua quando é caçado).
A cabra-cega tem de descobrir tacteando o nome do outro jogador. Se conseguir o colega apanhado passa para cabra-cega. Se errar o jogo continua com a mesma cabra-cega.

Análise
Jogo que promove a socialização:
– Desenvolve competências sociais
– Promove o reconhecimento do outro
– Desenvolve capacidades sensoriais (individuais)

JOGO: O mapa do tesouro

Material:
Objectos variados

Como jogar:
O professor previamente «enterra» na sala vários «tesouros» – bolas, balões, livros, etc. , fazendo mapas com a sua localização.
Organiza-se grupos de caça ao tesouro que para encontrá-lo terá que decifrar algumas mensagens deixadas pelo pirata (Prof.).
Nos alunos mais velhos pode-se constituir grupos de piratas e de caça ao tesouro. Os tesouros são partilhados (bolas, livros, guloseimas) por todos.

Análise
Jogo de cooperação:
– Promove a implicação na resolução de uma tarefa em vista a um fim comum
– Promove a comunicação, espírito de ajuda
– Desenvolve a competência do trabalho em grupo
– Gera situações lúdico-divertidas de bem-estar

JOGO: Quem me livra

Material:
Nenhum
Objectivos do jogo:
– Promover a cooperação no interior de cada equipa
– Desenvolver a agilidade e o tempo de reacção
– Desenvolver a competição

Como jogar:
Em que consiste o jogo:
– Fugir à equipa perseguidora.
– Libertar os elementos cativos.
Organizam-se duas equipas. As crianças recitam uma lengalenga para encontrar os elementos da equipa perseguidora.

Os perseguidores tentam tocar as crianças fugitivas. A que for presa tem de parar e ficar em local pré-determinado. Alguns dos perseguidores ficam de guarda aos presos, pois os fugitivos livres podem libertá-los, tocando-lhes com a mão.
Os elementos presos podem gritar: Quem me livra?
O jogo termina quando a equipa perseguidora tiver prendido todos os elementos em fuga.
NOTA: A equipa perseguidora deverá ter menos elementos que a equipa de fuga.

Análise
Promove a cooperação intra-equipa e a competição entre equipas

Comentário
Pode constituir um bom momento de aprendizagem de «competição saudável» se for devidamente acompanhada pelo professor/educador.

Conclusão:

Cidadania é o estatuto de um indivíduo que pertence a uma comunidade, politicamente articulada e que lhe confere um conjunto de direitos e de obrigações. A cidadania de um indivíduo é determinada pela sua nacionalidade. A cidadania confere direitos, liberdades e garantias, assim como deveres, cujo cumprimento contribui para o para o bem comum.

Agir com civismo, significa que o indivíduo está na posse de um conjunto de atitudes, ou seja, de comportamentos adequados a uma cidadania responsável e que assentam no princípio de que uma ordem social comum exige o respeito pelo bem-estar, pelos direitos e pela dignidade de todos os cidadãos.

Ao longo da vida, sempre houve a necessidade de recorrer ao gesto amigo, à exemplificação, à atitude mais teatral, entre outros recursos, para incrementar quer nos adultos como nas crianças, o respeito pelo Eu, pelo Outro e pela relação existente entre estes dois conceitos.

Entende-se o jogo como centro de interesses para o despoletar de situações propícias ao desenvolvimento da reflexão orientada com objectivos específicos bem definidos. Os jogos seleccionados são pontos de partida que perspectivam novas abordagens, bem como a introdução de outros.

É com o jogo que se promove uma comunicação efectiva e se desenvolve a cooperação, a sensibilidade, a confiança, a interdependência e a independência da identidade pessoal.

Os jogos criam interesse e, postos em prática com uma finalidade e eficiência, podem tornar-se a “moldura”, na qual se desenvolvem todas as outras actividades.

Neste contexto, como explicámos na introdução do nosso trabalho, fácil é concluir que as duas problemáticas se entrecruzam, podendo verificar-se como os jogos podem e devem ser implementados, numa vertente de formação, que sem esquecer o aspecto lúdico, constituem excelentes instrumentos formativos de uma aceitação activa da diversidade, da multiculturalidade, do Eu e do Outro.

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