Questões de Português de Causa e Efeito

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FCC - DPE - RS - Analista - Processual - 2013
Português / Causa e Efeito

Atenção: A questão refere-se ao texto seguinte.



Secretária



Procuro um documento de que preciso com urgência.
Não o encontro, mas me demoro a decifrar minha própria letra,
nas notas de um caderno esquecido que os misteriosos movimentos
da papelada pelas minhas gavetas fizeram vir à tona. Isso
é o que dá encanto ao costume da gente ter tudo desarrumado.
Tenho uma secretária que é um gênio nesse sentido. Perdeu,
outro dia, cinquenta páginas de uma tradução que tanto
me custou.

Tem um extraordinário senso divinatório: rasga apenas o
que é estritamente necessário guardar, mas conserva com rigoroso
carinho o recibo da segunda prestação de um aparelho
de rádio que comprei em S. Paulo em 1941. Isso fornece algumas
emoções líricas inesperadas: quem não se comove de repente
quando está procurando um aviso de banco e encontra
uma conta de hotel de Teresina de quatro anos atrás, com a
discriminação das despesas extraordinárias, inclusive uma garrafa
de água mineral? Caio em estado de pureza e humildade:
tomar uma água mineral em Teresina, num quarto de hotel,
quatro anos atrás...

Há também papéis de visão amarga, que eu deveria ter
rasgado dez anos atrás; mas a mão caprichosa de minha jovem
secretária, que os preservou carinhosamente, não será a própria
mão da consciência a me apontar esse remorso velho, a
me dizer que devo lembrar o quanto posso ser inconsciente e
egoísta? Seria melhor talvez esquecer isso; e tento me defender
diante desses papéis velhos que me acusam do fundo do passado.
Não, eu não fui mau; andava tonto; e pelo menos fui sincero...

Meus arquivos, na sua desordem, não revelam apenas a
imaginação desordenada e o capricho estranho da minha secretária.
Revelam a desarrumação mais profunda que não é de
meus papéis, é da minha vida.

(Adaptado de Rubem Braga, O homem rouco)


A causa da tão singular arrumação da secretária está sugerida no seguinte segmento:

a) a mão caprichosa (3º parágrafo)
b) fornece algumas emoções líricas (2º parágrafo)
c) discriminação das despesas extraordinárias (2º parágrafo)
d) papéis velhos que me acusam do fundo do passado (3º parágrafo)
e) Revelam a desarrumação mais profunda (4º parágrafo)

FCC - DPE - RS - Analista - Economia - 2013
Português / Causa e Efeito

Atenção: A questão refere-se ao texto seguinte.



Vista cansada

Acho que foi Hemingway quem disse que olhava cada
coisa à sua volta como se a visse pela última vez. Essa ideia de
olhar pela última vez tem algo de deprimente. Olhar de despedida,
de quem não crê que a vida continua, não admira que
Hemingway tenha acabado como acabou. Fugiu enquanto pôde
do desespero que o roía - e daquele tiro brutal que acabou dando
em si mesmo.

Se eu morrer, morre comigo um certo modo de ver, disse
o poeta. Um poeta é só isto: um certo modo de ver. O diabo é
que, de tanto ver, a gente banaliza o olhar. Vê não vendo. Experimente
ver pela primeira vez o que você vê todo dia, sem ver.
Parece fácil, mas não é. O que nos cerca, o que nos é familiar,
já não desperta curiosidade. O campo visual da nossa rotina é
como um vazio.

Você sai todo dia, por exemplo, pela mesma porta. Se alguém
lhe perguntar o que é que você vê no seu caminho, você
não sabe. De tanto ver, você não vê. Sei de um profissional que
passou trinta e dois anos a fio pelo mesmo hall do prédio de seu
escritório. Lá estava sempre, pontualíssimo, o mesmo porteiro.
Dava-lhe bom-dia e às vezes lhe passava um recado ou uma
correspondência. Um dia o porteiro cometeu a descortesia de
falecer. Como era ele? Sua cara? Sua voz? Não fazia a mínima
ideia. Em trinta e dois anos, nunca o viu. Para ser notado, o porteiro
teve que morrer.

O hábito suja os olhos e lhes baixa a voltagem. Mas há
sempre o que ver. Gente, coisas, bichos. E vemos? Não, não
vemos. Uma criança vê o que o adulto não vê. Tem olhos atentos
e limpos para o espetáculo do mundo. O poeta é capaz de
ver pela primeira vez o que, de tão visto, ninguém vê. Há pai
que nunca viu o próprio filho. Marido que nunca viu a própria
mulher, isso existe às pampas. Nossos olhos se gastam no dia
a dia, opacos. É por aí que se instala no coração o monstro da
indiferença.

(Otto Lara Resende, Bom dia para nascer)


Há uma relação de causa e efeito entre as seguintes afirmações:

a) de tanto ver, a gente banaliza o olhar e Parece fácil, mas não é (2º parágrafo)
b) passou trinta e dois anos a fio e pelo mesmo hall do prédio (3º parágrafo)
c) Lá estava sempre, pontualíssimo e Para ser notado, o porteiro teve que morrer (3º parágrafo)
d) O hábito suja os olhos e lhes baixa a voltagem e Não, não vemos (4º parágrafo)
e) Marido que nunca viu a própria mulher e isso existe às pampas (4º parágrafo)

COVEST - UFPE - Auxiliar em Administração - 2013
Português / Causa e Efeito

TEXTO 1

Os prós e os contras de se tornar funcionário público


(1) Em tempos de desemprego e de mercado altamente competitivo, “estabilidade” é a palavra mágica, quase um sinônimo de “concurso público”. Trabalhar em um órgão federal, estadual ou municipal é também a solução que milhares de brasileiros encontram para resolver outros problemas, como receber o salário em dia e garantir uma boa aposentadoria. Mas pensar nesse caminho é apenas o primeiro passo. Para cumprir esse objetivo, o percurso é longo: significa abandonar uma carreira, planejar outra, encontrar tempo e disposição para estudar, fazer sacrifícios e estar disposto a enfrentar muita concorrência.

(2) Com a onda de abertura de concursos, vejamos os prós e os contras de ser funcionário público, e as diferenças dessa área para a iniciativa privada.

(3) A primeira vantagem é a estabilidade. Quem passa em um concurso público tem de cumprir três anos de estágio probatório, uma espécie de período de avaliação, mas depois disso é efetivado e passa a ter estabilidade: não pode ser demitido sem justa causa. Só perde o emprego se for considerado culpado em algum processo administrativo ou sindicância. Já na iniciativa privada, o trabalhador pode ser demitido sem justa causa. A lei, no entanto, dá algumas compensações para esse “risco”: o trabalhador pode sacar o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e receber seguro-desemprego.
(4) No serviço público, estabilidade não se resume apenas à garantia do emprego; é, também, garantia do salário. Por outro lado, a estabilidade pode se converter em acomodação, e terminar em estagnação profissional. Para evitar isso, é importante que a pessoa faça uma escolha consciente, ao decidir que quer se tornar um servidor público, já que, nessa esfera, são poucas as carreiras que incentivam o servidor a se aperfeiçoar e premiam o desempenho – duas receitas de estímulo para qualquer profissional.
(5) A aposentadoria é a vantagem do concurso público que é mais citada. A grande diferença é em relação ao valor. Quem trabalha na iniciativa privada pode se aposentar recebendo no máximo R$ 2.894,00, independente do salário que recebeu durante toda a vida. Já no setor público, a lei permite a aposentadoria integral, ou seja, ao se aposentar, o servidor passa a receber valor igual ao salário que recebia quando trabalhava.

(6) Além disso, no serviço público, não é vetado o ingresso dos aposentados: o servidor pode se aposentar e prestar concurso novamente, passando a receber a aposentadoria integral e o salário.
(7) A igualdade de acesso também está no topo da lista de pontos positivos do setor público. Em um concurso, as condições são iguais para todos. Os critérios de avaliação são objetivos: não há discriminação de sexo, cor ou crença. E a lei obriga que um percentual de vagas seja destinado a portadores de deficiência física, o que geralmente é cumprido nos editais.

Maria Angélica Oliveira. Texto disponível em: http://g1.globo.com/Noticias/Concursos_Empregos.html.

Acesso em 22/03/2013. Adaptado.


"é importante que a pessoa faça uma escolha consciente, ao decidir que quer se tornar um servidor público".

Nesse trecho, o segmento sublinhado expressa:

a) causa.
b) condição.
c) finalidade.
d) tempo.
e) conclusão.

FGV - TJ - AM - Assistente Judiciário - Assistente Técnico Judiciá - 2013
Português / Causa e Efeito

Derrota da Censura



A decisão da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara
de aprovar em caráter conclusivo o projeto que autoriza a
divulgação de imagens, escritos e informações biográficas de
pessoas públicas pode ser um marco na história da liberdade de
expressão no país.

Até agora, o Brasil vem caminhando no obscurantismo no
tocante à publicação ou filmagem de biografias. O artigo 20 do
Código Civil bate de frente com a Constituição, que veta a
censura. Só informações avalizadas pelo biografado ou pela sua
família podem ser mostradas. É o império da chapa branca,
cravado numa sociedade que caminha para o pluralismo, a
transparência, a troca de opiniões.

O brasileiro vê estupefato uma biografia de Roberto Carlos
sendo recolhida e queimada; biografias de Guimarães Rosa e Raul
Seixas sendo proibidas de circular; inúmeros filmes vetados por
famílias que se julgam no direito de determinar o que pode ou
não pode ser dito sobre qualquer pessoa. Exatamente o que os
generais acreditavam poder fazer em relação a jornais, rádios e
televisão.

[....] O projeto aprovado na CCJ abre caminho para que a
sociedade seja amplamente informada sobre seus homens
públicos, seus políticos, seus artistas, não apenas através de
denúncias, mas também de interpretações. O livro publicado
sobre Roberto Carlos era laudatório; o mesmo acontecia com o
documentário de Glauber Rocha, também proibido, sobre Di
Cavalcanti.

[....] A alteração votada abre um leque extraordinário ao
desenvolvimento da produção cultural neste país. Mais livros
serão escritos, mais filmes serão realizados, mais trajetórias
políticas e artísticas serão debatidas.

(Nelson Hoineff – O Globo, 11/04/2013)


"O brasileiro vê estupefato uma biografia de Roberto Carlos sendo recolhida e queimada".

Assinale a alternativa que mostra a correta relação entre as duas ações sublinhadas.

a) A primeira ação é causa da segunda.
b) A segunda ação é a justificativa da primeira.
c) As duas ações estão em sucessão temporal.
d) A segunda ação representa uma oposição em relação à primeira.
e) A segunda ação é uma conclusão da primeira.

FUMARC - Polícia Civil - MG - Técnico Assistente da Polícia Cívil - Técnico em E - 2013
Português / Causa e Efeito

INSTRUÇÃO: Leia com atenção o Texto 1 para responder a questão.

TEXTO 1


O mais terrível

Luis Fernando Veríssimo


O mais terrível não era a menina me chamando de "tio" e pedindo um trocado, ela de pé no chão

no asfalto e eu no meu carro de bacana. O mais terrível não era eu escolhendo a cara e a voz para dizer
que não tinha trocado, desculpe, como se a vergonha tivesse um protocolo que a absolvesse. O
mais terrível foi nem a naturalidade com que ela cuspiu na minha cara. O mais terrível foi que ela era
tão pequena que a cusparada não me atingiu.
Somos boas pessoas, bons cidadãos e bons pais, mas somos tios relapsos. Nossas sobrinhas e

nossos sobrinhos enchem as ruas de nossas cidades, cercam nossos carros, invadem nossas vidas e
insistem que são nossa família, e não temos nada para lhes dar ou dizer, além de esmola ou "desculpe".
Na família brasileira "tios" e sobrinhos têm um diálogo de ameaça e medo, revolta e remorso, e
poucas palavras. Nenhum consolo possível, nenhuma esperança, nenhuma explicação. O que dizer a
uma sobrinha cuja cabeça mal chega à janela do carro e tenta cuspir na cara do tio? Feio. Falta de educação.
Papai do céu castiga. Paciência, minha filha, este é apenas um ciclo econômico e a nossa geração
foi escolhida para este vexame, você aí desse tamanho pedindo esmola e eu aqui sem nada para te
dizer, agora afasta que abriu o sinal. Não pergunte ao titio quem fez a escolha, é tudo muito complicado
e, mesmo, você não entenderia a teoria. Vá cheirar cola, para passar. Vá morrer, para esquecer. Ou vá
crescer, para me matar na próxima esquina.
A história, dizem, terminou, e os mocinhos ganharam. Os realistas, os antiutópicos, os racionais.

Ficou provado que a solidariedade é antinatural e que cada um deve cuidar dos apetites dos seus. Ou
seja: ninguém é "tio" de ninguém. A família humana é um mito, o sofrimento alheio é um estorvo e se a
miséria à tua volta te incomoda, compra uma antena parabólica. Ninguém é insensível, dizem os mocinhos,
mas a compaixão não funciona. Todos esses anos de convivência com a dor dos outros, que deviam
ter nos educado para a compaixão, nos educaram para a autodefesa, para cuspir primeiro. Os
bons sentimentos faliram, dizem os mocinhos. Confiemos o futuro ao mercado, que não tem sentimentos,
que tritura gerações entre seus dedos invisíveis, pra que se envolver? Afasta do carro que abriu o
sinal.
Mas mais terrível do que tudo é eu ficar aqui, escolhendo frases para encher o papel, até cuidando

o estilo, já que é domingo. Como se fizesse alguma diferença. Como se isso fosse nos salvar, o
tio da sua impotência e cumplicidade e a sobrinha anônima do seu destino. Desculpe.

Fonte: VERÍSSIMO, Luis Fernando; FONSECA, Joaquim da. Traçando Porto Alegre. Porto Alegre: Artes e Ofícios, 1995, p. 87-88.


A melancolia percebida no Texto 1 é consequência, EXCETO

a) do medo de ser assaltado.
b) da previsão sobre o futuro da criança.
c) de sentimentos de inércia e de incapacidade.
d) da depreciação do próprio ato de escrever.

ESAF - DNIT - Técnico de Suporte em Infraestrutura de transporte - 2013
Português / Causa e Efeito

Considere o texto abaixo para responder a questão.

Um dos direitos fundamentais das pessoas é o
de ir e vir. No entanto, boa parte das metrópoles
brasileiras não tem conseguido viabilizar esse
direito de forma satisfatória. A (i)mobilidade das
metrópoles, com exceção de algumas regiões
metropolitanas, aplica-se quase uniformemente.
As metrópoles brasileiras cresceram muito rápido
no período de 1930 a 1980. Elas expressavam
a mudança intensa pela qual passou a
economia brasileira, deixando de ser agráriaexportadora
para industrializada. A mudança da
matriz econômica caracterizou-se por intenso
movimento migratório campo-cidade. O Brasil
agrário tornou-se o Brasil urbano. De outro lado,
uma das estratégias adotadas para desenvolver
o setor industrial no Brasil foi priorizar a indústria
automobilística. Mas tudo tem um preço. E
o preço que pagamos foi caro. O automóvel
individual foi prioridade dos investimentos em
mobilidade urbana (e em boa parte dos casos
ainda é). Túneis, vias expressas e investimentos
correlatos superaram aqueles dedicados aos
diferentes modais (como o ferroviário). Mesmo
no modal rodoviário, do ponto de vista de espaço
ocupado nas vias públicas, os automóveis tiveram
prioridade, na maioria das vezes, em detrimento
dos ônibus.


(Adaptado de Vladimir Fernandes Maciel, Problemas e desafi os do transporte

público urbano. http://www.pucrs.br)


De acordo com a argumentação do texto, o "preço", em "Tudo tem um preço"(l.17), corresponde a uma consequência, que se traduz como

a) o direito de ir e vir.
b) desenvolvimento industrial.
c) os altos preços dos automóveis.
d) mudanças da matriz econômica.
e) problemas de mobilidade nas metrópoles.

ESAF - DNIT - Técnico de Suporte em Infraestrutura de transporte - 2013
Português / Causa e Efeito

Considere o texto abaixo para responder a questão.

Ônibus lotados, alguns em péssimo estado,
engarrafamentos, demora em chegar ao local
desejado. A péssima qualidade do transporte
coletivo é um problema que atinge muitas capitais
brasileiras. Para especialistas em planejamento
urbano, o crescimento desordenado pode
ser apontado como o responsável por essa
situação. Isso gera uma fragmentação de
espaços que exige que as pessoas façam longos
deslocamentos. Consequentemente, a maioria
das grandes cidades hoje no Brasil, por terem
essa característica, geram esses problemas de
congestionamentos e transporte públicos lotados.
Resolver estes problemas é alguns dos grandes
desafios dos prefeitos nas médias e grandes
cidades. Cabe a eles garantir a mobilidade das
pessoas nos lugares onde elas vivem. O transporte
público coletivo é responsabilidade das prefeituras
e o usuário espera que funcione.


(Adaptado de http://g1.globo.com/ma/maranhao/noticia/2012/08/veja-o-papeldas-

prefeituras-quanto-aos-problemas-do-transporte-coletivo.html, acesso em 4/12/2012)


Assinale a estrutura sintática que, no texto, tem valor significativo de causa.

a) "demora em chegar ao local desejado"(l.2 e 3)
b) "que atinge muitas capitais brasileiras."(l. 4 e 5)
c) "pode ser apontado como o responsável por essa situação."(l.6, 7 e 8)
d) "que as pessoas façam longos deslocamentos."(l.9 e 10)
e) "por terem essa característica"(l.11 e 12)

VUNESP - Prefeitura de Ribeirão Preto - Assistente Social - 2013
Português / Causa e Efeito

Leia o texto para responder à questão.


Leitura nos olhos dos outros



Famílias e escolas repetem à exaustão que ler é uma coisa
boa. Desde os primeiros anos escolares até o último ano do
ensino básico, a lista de livros obrigatórios é enorme. Mas será
que ler é mesmo bom? Se é, por que temos de repetir tanto essa
recomendação e nem assim conseguimos resultados?

Talvez porque obrigação não combine com prazer e ler deveria
ser uma questão de prazer. Muita gente se preocupa em desenvolver
o hábito da leitura. Prova disso é que nossas crianças
ficam com a agenda abarrotada de coisas para ler. Entretanto,
hábito é coisa bem diferente de vontade. Em relação à leitura,
o que podemos fazer é plantar nos mais novos a vontade de ler,
mostrando as emoções que essa experiência proporciona.

Se afirmamos que ler é tão bom, por que é que nós, os adultos,
lemos tão pouco? Pesquisas mostram que o índice de leitura
espontânea no Brasil é de pouco mais de um livro por ano! Muito
pouco, quase nada, na verdade. Isso significa que, depois que o
jovem sai da escola, ele simplesmente deixa de ler.

O que podemos fazer para que os jovens encontrem seu próprio
caminho no mundo dos livros? Para que desenvolvam um
gosto verdadeiro pela leitura?

Os pais podem, por exemplo, ler e contar histórias para os
filhos pequenos. Muitas famílias já cultivam o momento da história,
lendo para os filhos de até seis anos antes de a criança se
recolher. A questão é que eles não sabem como seguir com esse
ritual depois que a criança cresce.

A partir dos sete anos, muitas famílias se rendem aos outros
interesses que a criança passa a ter: programas de televisão, internet,
video games, jogos de computador etc. Entretanto, ouvir
e contar histórias para os filhos é um hábito que não só poderia
se estender até o fim da infância como um grande incentivador
do gosto pela leitura mas também poderia contribuir como um
elemento intensificador das relações familiares. E depois que a
criança ganha fluidez, é hora de pedir para que ela também leia
para os pais.

As bibliotecas também poderiam funcionar como locais de
incentivo do gosto pela literatura. Para isso, precisariam ser fisicamente
mais atraentes, com livros e atividades interessantes. As
famílias poderiam incluir a ida à biblioteca como um programa
familiar, não é verdade?

Ler sempre – mesmo que por pouco tempo –, comentar os
livros que estão lendo e incluir alguns exemplares na bagagem
das férias são atitudes que os pais podem adotar para mostrar aos
filhos, na prática, que ler é bom de verdade.
Se ler é mesmo bom, vamos provar isso aos mais novos.

(Rosely Sayão, http://www1.folha.uol.com.br, 06.11.2012. Adaptado)


Assinale a alternativa em que o termo destacado expressa uma condição, assim como na frase: Por que ir a pé, se você tem carro?

a) Muita gente se preocupa em desenvolver o hábito da leitura. (segundo parágrafo)
b) Muitas famílias já cultivam o momento da história, lendo para os filhos de até seis anos antes de a criança se recolher. (quinto parágrafo)
c) A partir dos sete anos, muitas famílias se rendem aos outros interesses que a criança passa a ter... (sexto parágrafo)
d) Entretanto, ouvir e contar histórias para os filhos é um hábito que não só poderia se estender até o fim da infância... (sexto parágrafo)
e) Se ler é mesmo bom, vamos provar isso aos mais novos. (último parágrafo)

FCC - TRT 1ª - Analista Judiciário - Área Administrativa - 2013
Português / Causa e Efeito

Atenção: A questão refere-se ao texto que segue.



Cada um fala como quer, ou como pode, ou como acha
que pode. Ainda ontem me divertiu este trechinho de crônica do
escritor mineiro Humberto Werneck, de seu livro Esse inferno
vai acabar:

“- Meu cabelo está pendoando – anuncia a prima,
apalpando as melenas.

Tenho anos, décadas de Solange, mas confesso que
ela, com o seu solangês, às vezes me pega desprevenido.

- Seu cabelo está o quê?

- Pendoando – insiste ela, e, com a paciência de
quem explica algo elementar a um total ignorante, traduz:

- Bifurcando nas extremidades.

É assim a Solange, criatura para a qual ninguém
morre, mas falece, e, quando sobrevém esse infausto
acontecimento, tem seu corpo acondicionado num ataúde,
num esquife, num féretro, para ser inumado em alguma
necrópole, ou, mais recentemente, incinerado em crematório.
Cabelo de gente assim não se torna vulgarmente
quebradiço: pendoa.”

Isso me fez lembrar uma visita que recebemos em casa,
eu ainda menino. Amigas da família, mãe e filha adolescente
vieram tomar um lanche conosco. D. Glorinha, a mãe, achava
meu pai um homem intelectualizado e caprichava no
vocabulário. A certa altura pediu ela a mim, que estava sentado
numa extremidade da mesa:

Querido, pode alcançar-me uma côdea desse pão?

Por falta de preparo linguístico não sabia como atender
a seu pedido. Socorreu-me a filha adolescente:

Ela quer uma casquinha do pão. Ela fala sempre assim
na casa dos outros.

A mãe ficou vermelha, isto é, ruborizou, enrubesceu,
rubificou, e olhou a filha com reprovação, isto é, dardejou-a com
olhos censórios.

Veja-se, para concluir, mais um trechinho do Werneck:

“Você pode achar que estou sendo implicante,
metido a policiar a linguagem alheia. Brasileiro é assim
mesmo, adora embonitar a conversa para impressionar os
outros. Sei disso. Eu próprio já andei escrevendo sobre o
que chamei de ruibarbosismo: o uso de palavreado rebarbativo
como forma de, numa discussão, reduzir ao silêncio
o interlocutor ignaro. Uma espécie de gás paralisante
verbal.”

(Cândido Barbosa Filho, inédito)


Há uma relação de causa e efeito entre estas duas formulações:

a) Cada um fala como quer e ou como acha que pode. (1º parágrafo)
b) para ser inumado em alguma necrópole e incinerado em crematório. (7º parágrafo)
c) visita que recebemos em casa e eu ainda menino. (8º parágrafo)
d) achava meu pai um homem intelectualizado e caprichava no vocabulário. (8º parágrafo)
e) olhou a filha com reprovação e dardejou-a com olhos censórios. (12º parágrafo)

ESAF - DNIT - Analista em Infraestrutura de Transportes - Ambien - 2013
Português / Causa e Efeito

Tem um personagem de Voltaire que um dia descobre,
encantado, que falou em prosa toda a sua vida, sem
saber.
Estamos metidos em muito mais coisas do que nos
damos conta. Pertencemos, simultaneamente, a vários
sistemas que mal compreendemos, começando pelo
nosso próprio corpo e terminando pelo sistema solar,
que, por sua vez, faz parte de outro sistema ainda
maior e mais incompreensível. Coisas espantosas
acontecem conosco, a cada segundo, pelo simples
fato de existirmos. Agora mesmo, enquanto escrevo –
ou enquanto você lê –, fatos fantásticos e dramáticos
se desenrolam dentro de nós. Células se reproduzem
aos milhões. Bando de bactérias percorrem nossas
vias interiores, procurando encrenca. Nossos sucos se
encontram e se misturam em alquimias inacreditáveis.
E giramos em torno do Sol, que, por sua vez, se desloca
pelo espaço, em alta velocidade, cuspindo fogo. Não
podemos pedir dispensa do Universo e de suas
explosões por razões de consciência. Estamos todos na
mesma louca aventura. Você, eu e o vizinho. E, ainda
por cima, falamos em prosa.

(Verissimo, Luis Fernando. Orgias. Porto Alegre, RS: L&PM Editores, 1989, p.80-1, Adaptado).



Com relação ao desenvolvimento das ideias do texto, assinale a opção correta.

a) Para demonstrar a complexidade de sistemas a que os seres humanos pertencem, o autor menciona o sistema menos compreensível, o corpo, e o mais compreensível, do qual faz parte o sistema solar.
b) No último período do texto, o autor utiliza a expressão coloquial "ainda por cima"(l.21 e 22 ) para incluir mais uma razão para a impossibilidade de desistirmos da "louca aventura"(l.21).
c) Ao fazer um acréscimo por meio da oração "ou enquanto você lê"(l.12 ), o autor do texto cria um paradoxo, visto que a expressão temporal enfática "Agora mesmo"(l.11), cujo sentido é preciso, passa a ter não apenas uma, mas duas referências de tempo: o momento da escrita e o momento da leitura do texto.
d) Os fatos que ocorrem com os seres humanos a cada segundo são objetivamente descritos em linguagem denotativa e formal, excetuando-se o emprego do termo "aos milhões"(l.14), que expressa ênfase resultante do exagero da significação linguística.
e) No período "Coisas espantosas (...) existirmos"(l.9 a 11), o autor estabelece uma relação de causa e efeito em que a causa é inerente à própria existência humana, o que torna o efeito irreversível.



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